Número de contas investigadas surpreende
Curitiba - Desde o dia 6 de maio, oito procuradores da República e técnicos da Receita e da Polícia Federal debruçam-se sobre as denúncias de lavagem de dinheiro realizadas em Foz do Iguaçu. Segundo o procurador Vladimir Aras, a quantidade de pessoas e contas investigadas é surpreendente. ''São milhares de contas. Entretanto, ainda estamos avaliando quantas das contas movimentaram dinheiro de maneira ilícita, e quantas enquadravam-se nas exigências requeridas para a utilização das contas CC-5'', explicou Aras.
Além do uso legal das CC-5, utilizada para enviar dinheiro ao exterior por empresas e pessoas estrangeiras residentes no Brasil, os procuradores buscam descobrir os responsáveis pela operação ilegal das contas. ''Basicamente, são duas hipóteses. Na primeira, o dinheiro foi obtido de forma lícita, mas enviado para o exterior para não ser tributado. Na segunda, o dinheiro já foi obtido de forma ilícita e escondido no exterior'', esclarece Aras.
Segundo o procurador, a força-tarefa tem três focos principais de investigação. O primeiro é a investigação sobre o esquema que utilizava carros-forte para movimentar verbas na divisa entre o Brasil e o Paraguai em Foz do Iguaçu. ''O segundo foco são as denúncias de movimentação do dinheiro no Brasil que já vinham sendo investigadas pelo Ministério Público Federal, e é o estágio em que nos encontramos agora. Posteriormente, voltaremos a atenção para onde o dinheiro foi remetido depois de chegar ao exterior'', explicou.
Segundo Aras, existem dificuldades para repatriar o dinheiro que escoou pelo esquema de lavagem em Foz. ''Dificilmente será repatriado todo o dinheiro enviado. Trabalhamos para que algo ainda possa voltar, e que o dinheiro enviado para sonegar impostos ainda possa ser tributado'', comentou. (R.S.)





