Professores de Londrina tiveram uma surpresa nada agradável quando foram verificar seus contracheques ontem. Ao invés do aumento de até cerca de 30% concedido pelo Governo do Estado, muitos deles verificaram um saldo menor do que o salário anterior. Em pelo menos um caso, o salário de ontem foi zero.
Mais de 30 professores se reuniram ontem à tarde no Núcleo Regional de Ensino (NRE) para tirar satisfações mas não encontraram resposta, após uma reunião tensa com a diretoria do órgão.
O professor de sociologia Arthur Apóstolo Neto, 52 anos, não recebeu nem a metade do salário. Antes do aumento ele ganhava cerca de R$ 1,4 mil, ontem recebeu R$ 352. ''O pior é a falta de explicações, o Núcleo fica jogando a culpa em Curitiba e quando ligamos lá eles empurram para cá. Isso é um absurdo. Criou-se toda uma expectativa de aumento, o governo faz marketing sobre o respeito aos professores e eu pergunto, cadê o respeito?'', reclamou.
Segundo ele, a resposta obtida no NRE foi esperar pelo próximo pagamento. ''Todos temos contas a pagar, como vou dar aula sem dinheiro para pôr gasolina?'', reforçou.
O chefe do NRE, Ronny Alves dos Santos, não participou da reunião pois estava em Curitiba. Contudo, à reportagem, ele afirmou que o problema será solucionado nos próximos dias. O NRE ainda não sabe quantos professores foram afetados pelo erro do pagamento, mas admite que o número deve ser maior do que o computado ontem. ''Temos um universo de 4 mil professores, até pedimos para que quem teve o problema preencha um formulário nas escolas ou no Núcleo'', afirmou.
Ele acredita que o problema possa ter sido causado por um erro de digitação no setor de Recursos Humanos do NRE e atribui a suposta falha à falta de funcionários. ''Temos muitos professores e poucos funcionários'', afirma.
O presidente da APP-Sindicato, professor Luís Martins, afirmou que desconhecia o problema. Segundo ele, ninguém notificou o sindicato.

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