Arquivo FolhaBalbinotti: assinando a ficha junto com Johnsson e Villani


A reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso não é a razão principal da mudança partidária que está ocorrendo na bancada federal do Paraná. A corrida para o PSDB centra o foco em 98. Nesse jogo, a reeleição é apenas um meio para a nova organização tucana alcançar o poder no Paraná e uma representatividade expressiva no Congresso.
Basílio Villani, Renato Johnsson e Odílio Balbinotti assinam a ficha do PSDB na próxima terça-feira - véspera da votação da emenda da reeleição -, às 14h30, na Câmara dos Deputados. Vão para o partido do presidente, convencidos de que se ficassem no PPB (caso de Villani e Johnsson) e no PTB (Balbinotti) correriam o risco de não se reelegerem deputados.
‘‘Para 98 não teremos coligação nas eleições proporcionais e quem não tiver um bom candidato a presidente ou ao governo vai levar desvantagem’’, resume o deputado Basílio Villani, que já dá como certa a aprovação da emenda da reeleição e aponta FHC como ‘‘o grande candidato de 98’’ e, em consequência, um puxador de votos para as candidaturas que estiverem atreladas a ele.
A movimentação para provocar o crescimento artificial do PSDB vislumbra ainda a ‘independência’ do partido do presidente em relação ao PMDB e ao PFL, que hoje dominam todas as presidências e relatorias de projetos na Câmara dos Deputados. ‘‘Se chegar a 106 deputados - hoje tem 86 -, o PSDB controla as comissões’’, calcula Villani.

Partido terá
candidato próprio
para disputar
governo do Paraná

A eleição para o governo do Paraná, em 98, também é outro foco não menos importante. Tanto o ex-governador Álvaro Dias como o ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno - dois nomes apresentados como pré-candidatos à sucessão de Lerner - garantem que o PSDB vai para a sucessão estadual com candidato próprio. ‘‘No Brasil, a província fala mais alto’’, resume Álvaro Dias, ao admitir que o PSDB se prepara para disputar o governo.
‘‘O partido tem de se estruturar para disputar 98 e garantir representatividade em Brasília’’, diz Bueno, ao explicar porque não se opõe à ‘invasão’ que o PSDB do Paraná está vivendo. Quanto a quem vai tirar maior proveito desse crescimento, ainda é um exercício de futurologia. Álvaro Dias diz não ter ‘‘clareza’’ em relação à disputa do governo do Paraná, mas dá um recado: ‘‘Para ser candidato não basta querer e trabalhar para ser. O tempo do verbo está errado: é preciso que queiram, e uma convenção partidária sempre resolve quem tem mais possibilidade de vitória’’.

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