Novos prefeitos tentam equilibrar caixa
Ao contrário da situação dos maiores municípios paranaenses, o caixa da Prefeitura de Curitiba está saneado. É o que garante o prefeito reeleito Cassio Taniguchi (PFL), explicando que ele vem cortando despesas desde seu primeiro mandato, em 1997. Entre as medidas de contenção de despesas está a extinção de duas das 17 secretarias e a transformação de cargos comissionados em gestores, que participarão ativamente dos programas de governo. A dívida da Capital, segundo o Banco Central, é de cerca de R$ 700 milhões. Entretanto, R$ 400 milhões são de mutuários da Cohab. No último dia 10, os prefeitos eleitos no ano passado completaram cem dias de administração.
Na administração de Cassio, o período foi marcado pelo aumento da passagem do ônibus urbano (de R$ 1 para R$ 1,10) o que gerou protestos puxados por estudantes e a suspensão por determinação da Justiça do Trabalho do convênio com a Cooperativa de Trabalhadores Autônomos de Curitiba (Cosmo), para fornecimento de mão-de-obra, por entender que há irregularidades. Por outro lado, o prefeito comemora os primeiros resultados de seu novo desafio na segunda gestão: os investimentos sociais, que incluem o projeto de desfavelização da Capital.
A meta para os quatro anos de mandato é atender 78 das 262 áreas de favela, beneficiando cerca de vinte mil famílias. O trabalho já começou, e o primeiro bairro atendido foi o Cajuru. O prefeito quer relocar famílias ou disponibilizar escolas, postos de saúde e policiamento nessas regiões.
Desde o início do ano foram inauguradas cinco novas unidades de saúde (Jardim Gabineto, Bom Pastor, Cachoeira, João Cândido e União das Vilas). As unidades foram reconstruídas e ampliadas, praticamente dobrando a capacidade de atendimento à população. O secretário da Saúde, Luciano Ducci, anunciou ganho salarial de 18% aos agentes comunitários do setor.
Na área de meio ambiente, começaram as ações para despoluir os rios e córregos da cidade. O primeira da lista é o Belém que nasce e morre dentro dos limites do município. Entre os problemas que afetam o rio, estão esgoto clandestino e depósitos de lixo. Na habitação, foi inaugurado o escritório do Programa Nossa Vila, no Cajuru, que vai servir como centro de discussão entre prefeitura e comunidade, para discutir as obras de urbanização da área. Também está prevista a organização do sistema viário e relocação de famílias. Taniguchi pretende ainda aumentar a segurança na cidade. Para isso, criou a Secretaria Extraordinária da Defesa Social. A Guarda Municipal passou a ajudar no policiamento de terminais de tranporte, estações-tubo e ônibus.
A vitória de Cassio Taniguchi no primeiro turno realizado na Capital do Estado, foi bastante apertada em relação ao concorrente, o petista Ângelo Vanhoni. A diferença do votos válidos foi de apenas 26.541 (do total de 1,1 milhão de eleitores). O pefelista obteve 51,4% dos votos, enquanto Vanhoni conseguiu 48,5%. Quando foi eleito pela primeira vez, há quatro anos, Cassio venceu no primeiro turno com 54,9% dos votos. A oposição avalia que a pequena diferença de votos verificada no ano passado é fruto do desgaste político da situação e do descontentamento da população. O resultado das urnas em outubro do ano passado revelou a vitória mais apertada dos últimos 15 anos.
Durante a campanha, a imagem de Cassio Taniguchi que faz parte do grupo político do governador Jaime Lerner (PFL) foi praticamente dissociada do governador, que se manteve mais afastado. Os demais grandes centro do Paraná, como Londrina e Maringá, quebraram a hegemonia situacionista e deram vitória a candidatos do PT.





