Novos parlamentares decidirão sobre salário
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Eugênia Lopes e Denise Madueño<br> Agência Estado 
Brasília - Uma das primeiras polêmicas que tomará conta do Congresso em 2007 será a discussão do valor do reajuste salarial para os deputados e senadores. A decisão ficará nas mãos dos parlamentares que tomarão posse em 1º de fevereiro. Hoje, a tendência é que os congressistas aumentem os salários em 28,4%, que corresponde à reposição da inflação nos últimos quatro anos. Isso representa um vencimento de R$ 16,5 mil.
As articulações para definir o valor da elevação ganharão força em janeiro, durante a campanha dos candidatos a presidente da Câmara. O acréscimo salarial é uma reivindicação dos deputados, principalmente daqueles do chamado ''baixo clero'' - poucos conhecidos. Os presidentes da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), candidato à reeleição, e do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), também candidato, tentaram ampliar as remunerações para R$ 24,5 mil, igual à recebida pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a repercussão negativa, Rebelo e Calheiros foram obrigados a recuar da proposta.
A discussão do reajuste salarial dos parlamentares tomou conta da última sessão deliberativa da Câmara desta legislatura turbulenta, na qual deputados envolvidos com o ''mensalão'' e a máfia das ambulâncias foram absolvidos. Na sessão, que se transformou em lavagem de roupa suja, deputados revezaram-se na tribuna para acusar uns aos outros de hipocrisia. A noite quase terminou, no entanto, em agressão física ao presidente da Câmara por um grupo de vereadores.
Já era perto de meia-noite, quando, ao atravessar o Salão Verde, Rebelo foi cercado por vereadores irritados com a não-votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que aumenta o número de cadeiras nas câmaras municipais. ''O sr. tirou o nosso mandato'', gritou o ex-vereador Fernando Júnior (PL), de Taguatinga (TO). ''O sr. faz discurso de comunista, mas é a favor da ditadura'', bradava outro ex-vereador do grupo. ''Não venha com ameaça, que não funciona'', respondia Rebelo, enquanto um dos vereadores pegou uma mesa do café para jogar no presidente da Câmara. A intervenção da segurança da Casa impediu a agressão e a invasão do gabinete de Rebelo.
Antes, Rebelo presidiu uma das sessões mais tensas da gestão. Mostrando irritação, o presidente da Câmara foi ríspido com os deputados, ensaiando um rápido bate-boca com Paulo Delgado (PT-MG). Durante a votação da lei de incentivos ao esporte, Delgado reclamou da presença de atletas no plenário.
Ele disse que a Câmara parecia ''um bordel''. Rebelo reagiu: ''Não venha descarregar o seu ressentimento tardio sobre a Casa nem sobre a minha pessoa, por favor.'' Há duas semanas, Delgado foi derrotado pela Câmara para uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Na última sessão deliberativa do ano, os ânimos acirraram-se, com troca de acusações mútuas entre os deputados sobre o reajuste salarial. ''É a sessão mais canalha de toda a história do Congresso. Estão buscando bandido e mocinho. A hipocrisia chegou ao ponto máximo'', resumiu o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). ''Aqui, não há consenso nem para aprovarmos minuto de silêncio'', completou o líder do PTB, deputado José Múcio Monteiro (PE).


