Novos municípios já nasceram em crise
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sábado, 15 de fevereiro de 1997
Patrícia Zanin Da Redação 
O mandato não começou bem para grande parte dos prefeitos que assumiu em todo o Estado, mas a crise financeira não é privilégio dos antigos municípios. Os recém-emancipados vivem situação que pode ser comparada ao caos. Os primeiros 46 dias de vida de Arapuã, ex-distrito de Ivaiporã (Vale do Ivaí), são considerados uma calamidade por representantes da prefeitura e da população. Estradas intransitáveis e falta de maquinário para arrumá-las, postos de saúde fechados e apenas R$ 10 mil para administrar são o retrato do caos, segundo o chefe de gabinete da prefeitura, Adeildo Pereira da Silva. O prefeito Hélio Matias (PTB) não estava na cidade na sexta-feira. Ele peregrinava em Curitiba na busca de ajuda, qualquer que fosse, para o novo município.
A frota da prefeitura se restringe a um Gol doado pelo prefeito, vice e os nove vereadores. Uma motoniveladora alugada nos últimos dias vai tentar iniciar a recuperação dos estragos deixados pelas chuvas, mas a chiadeira dos agricultores já começou. Mandamos ofício ao governo do Estado no final de janeiro mostrando nossa situação de emergência, mas até agora não houve qualquer providência, reclama Silva. Além do apoio do governo do Estado, ele cobra empenho dos deputados estaduais e federais para ajudarem o novo município. Na hora da emancipação, choveu deputado no palanque. Agora sumiu todo mundo.
Segundo ele, a única fonte de receita da prefeitura é o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Mês passado, Arapuã recebeu R$ 50 mil, dos quais R$ 40 mil foram usados para cobrir a folha de pagamento dos 60 funcionários. Ele diz que a maioria dos servidores já trabalhava no distrito, contratados pela prefeitura de Ivaiporã. Os únicos cargos criados, segundo Silva, foram o dele e dos secretários de Agricultura, Finanças e Educação. A coisa tá muito feia, alerta. Para ter atendimento de saúde, os moradores precisam ir até Ivaiporã, a 25 quilômetros de Arapuã. O novo município não dispõe sequer de ambulância para transportar os doentes, obrigados a se deslocarem de carona.
Em Prado Ferreira, ex-distrito de Miraselva (61 quilômetros ao norte de Londrina), o prefeito Aristides de Caires (PMDB) também enfrenta muitos problemas. Não tenho cadeira, escrivaninha, motoniveladora, ambulância, viatura nem carro. Não tenho nada, mas também não tenho dívida, sentencia. Caires disse estar preparado para as dificuldades. É preciso ter paciência e ir devagar. A receita é só gastar o que se pode. Ele acredita em auxílio dos governos estadual e federal, mas já agiliza a documentação para empréstimos e financiamentos. Por enquanto, ele diz que estão funcionando apenas os setores de saúde e educação. O município tem cerca de 3 mil habitantes e recebe R$ 100 mil do FPM. A prefeitura tem 100 funcionários.


