Novos grupos ameaçam hegemonia do MST
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998
Agência Folha 
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) começa a ter a hegemonia ameaçada em regiões com larga tradição de conflito de terras. A novidade é o perfil dos concorrentes, não mais sindicatos, federações de trabalhadores rurais ou grupos isolados de sem-terra controlados por políticos locais. Os novos rivais são o MLT (Movimento de Luta pela Terra) e o MLST de vários Estados, com uma coordenação central, símbolos próprios e um discurso recheado de críticas e de rivalidade com o MST.
O episódio mais recente dessa disputa foi a invasão, na quarta-feira passada, de uma fazenda nas imediações de Curionópolis (PA) por sem-terra liderados pelo MLT. Segundo Lourival Gusmão, um ex-agrônomo do Incra que se tornou coordenador nacional do MLT, a invasão foi a primeira de uma série que o movimento pretende fazer no sudeste do Pará. Para isso, o MLT montou escritório com fax e telefone em Curionópolis e deslocou para lá seus líderes mais experientes, como Gusmão, que atuava na Bahia.
Se o MLT cumprir a promessa, estará se enraizando numa região vital para o MST. Lá foram assentadas aproximadamente 15% (12.320) das 80 mil famílias que o governo Fernando Henrique Cardoso afirma ter assentado em 97. Além disso, o sudeste paraense foi palco de um episódio trágico que acabou fortalecendo politicamente o MST: o massacre de 19 trabalhadores sem-terra em Eldorado de Carajás, em 17 de abril de 96, pela Polícia Militar do Estado.
Segundo Gusmão, 1.200 trabalhadores sem terra participaram da invasão de quarta-feira marchando com bandeiras do MLT de uma praça de Curionópolis até a fazenda de 2.000 hectares, de propriedade do prefeito local, Osmar Ribeiro (PMN).
Boa parte dos sem-terra que participaram da invasão conosco eram do MST e presenciaram o massacre de Eldorado de Carajás. Eles estão desiludidos com o MST, disse Gusmão. Estamos ocupando o espaço aberto pelo fracasso político do MST na organização de assentamentos, especialmente no sul da Bahia, afirma Edson Pimenta, coordenador nacional do MLT e presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura da Bahia. Segundo Pimenta, o MLT está organizado e ativo também em Sergipe.
Pimenta diz que, apesar de ter chegado depois que o MST no sul da Bahia, o MLT já tem hegemonia na região.


