O Ministério Público (MP) estadual começou a investigar 28 documentos originais relacionados à denúncia da existência de um suposto caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). O material, composto de recibos, notas fiscais e anotações do coordenador financeiro da campanha, Mário Lopes Filho, será remetido à perícia técnica para ter sua legitimidade verificada.

Segundo a promotora Maria Espéria Moura, os originais, que estavam em poder da ''Folha de S. Paulo'' e foram encaminhados ao MP na sexta-feira, dão novo fôlego à investigação. ''Além desta documentação dar mais autenticidade aos trabalhos, ela confirma a existência de uma contabilidade paralela.'' O MP irá convocar representantes das empresas citadas nos recibos para prestar depoimento. A suspeita é de que o PFL omitiu R$ 29,8 milhões na prestação de contas oficialmente, o partido declarou gastos de R$ 2,8 milhões.

Dois documentos em especial chamam a atenção por supostamente conterem a caligrafia de Lopes Filho. O primeiro, que foi analisado pelo Instituto de Criminalística e confirmado como sendo a de Lopes Filho, refere-se a um pagamento de R$ 80 mil para a agência de publicidade Tarso Loducca. Um comprovante de movimento do Banco HSBC confirma a transação.

A outra documentação é uma folha sulfite com anotações com supostas despesas do comitê. Dentre eles, há a indicação para pagamentos que coincidem com verbas citadas em recibos já de posse do MP.

O presidente do diretório municipal do PFL, José Carlos Ciccarino, preferiu não se pronunciar sobre os documentos originais. ''Até agora, não tivemos acesso a nenhuma documentação do Ministério Público. Não podemos nos pronunciar sobre algo que não vimos.'' O fato do trabalho do MP basear-se apenas em fotocópias foi o principal suporte da defesa do partido nos estágios preliminares da investigação.

Ciccarino garantiu que o PFL entrará com ações na Justiça para defender-se das acusações assim que seu departamento jurídico conseguir a cópia da documentação de posse do MP.

O advogado do prefeito, José Cid Campêlo, alega que seu cliente não está envolvido no caso por não ter assinado a prestação de contas enviada à Justiça Eleitoral. ''As contas do prefeito estão perfeitamente legais. Há suspeitas de irregularidades apenas nas do comitê'', argumenta.

O professor de Ciência Política das Faculdades Curitiba, Fernando Knoerr, discordou de Campêlo. ''O candidato se manifesta ao TRE. A divergência de valores na prestação de contas caracteriza uma situação penal pela qual tanto o candidato, como a coligação que o elegeu devem responder.''

O senador Roberto Requião (PMDB) acredita que as diligências do MP podem levar à descoberta de outro comitê paralelo na campanha de Cassio - um ''caixa 3''. Requião afirmou que um ''comitê sindical'' também arrecadou dinheiro para a reeleição do prefeito, e que a movimentação ilegal pode chegar a R$ 50 milhões. ''Recebemos essa informação, mas não temos documentos que a comprovem. Tão importante quanto verificar as ilegalidades, é saber de onde veio esse dinheiro'', declarou Requião.

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