Curitiba - Cinco políticos tomaram posse ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, assumindo lugares deixados por deputados estaduais que venceram as eleições municipais e a vaga de Luiz Claudio Romanelli (PMDB), mantido na Secretaria de Estado do Trabalho. Se as substituições não alteram o jogo político no plenário da AL, onde o governador Beto Richa (PSDB) mantém sua hegemonia, ao menos prometem mais debate sobre as iniciativas do Executivo. No lugar de Augustinho Zucchi (PDT), por exemplo, assumiu o petista Elton Welter, que chegou a ser líder da oposição na AL, cargo hoje ocupado por Tadeu Veneri (PT).
O PMDB ganha um deputado estadual a mais, consolidando-se como a maior bancada partidária da Assembleia. Com a entrada de Gilberto Martin eles passam a ter 12 parlamentares, número superior ao obtido pelo PSDB, hoje dispondo de dez cadeiras no plenário. O problema é que, diferente do resto da bancada, Martin integra o grupo do senador Roberto Requião. ''Eu me elegi pela coligação de oposição e fui secretário de Saúde do ex-governador Requião, com quem tenho uma ligação política muito estreita'', adverte Martin. Na recente disputa pela direção do PMDB, o novo deputado estadual estava na chapa do senador, junto com o colega Anibelli Neto, enquanto os outros deputados estaduais da sigla cacifavam a chapa rival.
Apesar disso, Martin defende uma postura ''independente'' no parlamento. ''Quando as propostas coincidirem com aquilo que eu penso, vou defendê-las. Caso contrário, vou combatê-las. Eu tenho a obrigação, como deputado, de ser pelo menos crítico com as coisas do Executivo, pois um dos meus papéis na AL é fiscalizar'', diz. Martin está no lugar do principal articulador de Beto Richa dentro do PMDB (Romanelli) e permanece no cargo enquanto o peemedebista fizer parte da administração tucana.
Eleito majoritariamente com os votos de Cambé, Martin assume a bancada na Assembleia junto de outro médico, também do Norte do Paraná. No lugar de César Silvestri Filho (PPS), prefeito de Guarapuava, sobe ao plenário da AL o ex-vereador de Londrina Tercílio Turini, também do PPS. ''Depois de todo o trauma pelo qual a cidade passou, é importante unir os representantes de Londrina e região nesse momento, independente do partido, se é deputado estadual ou federal. Após a crise ética que vivemos na nossa cidade, a cobrança em cima de nós será maior'', defendeu Turini, que por 40 anos trabalhou no hospital universitário da UEL.
''Eu nunca fiz oposição sistemática, mas também não gosto de votar sem refletir'', disse Turini para a FOLHA. Ele sabe que o PPS faz parte da base de apoio ao governo Beto Richa, que o relacionamento entre ambos é importante para a legenda, mas disse estar concentrado no atendimento da região. ''Na eleição passada, a Grande Londrina elegeu somente o Cheida (PMDB), o Durval Amaral (DEM), por Cambé, e o Waldyr Pugliesi (PMDB), de Arapongas. É uma representação muito pequena em relação à importância da nossa região'', afirmou Turini, festejando a vinda de Gilberto Martin para a AL.
Com Turini e Martin ao lado de Cheida, Londrina e região ganham mais peso político. ''Os projetos que chegarem aqui, da nossa região, serão projetos nossos. É meu compromisso trabalhar pela região e comigo não tem tempo ruim. Eu chego cedo e termino tarde. Quero usar minha experiência como médico para diagnosticar com precisão e indicar o remédio correto'', brinca Turini. O mesmo discurso regional foi usado pelos outros dois deputados estaduais empossados ontem. Alceuzinho Maron (PSDB) disse que vai levantar as bandeiras do litoral do Paraná e Wilson Quinteiro (PSB), ex-secretário de Estado, os pleitos de Maringá. Ambos equilibram o quadro político da renovação, pois são defensores da gestão tucana.

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