Antes de assumir oficialmente a Secretaria de Defesa Social de Londrina, na próxima segunda-feira, o delegado da Polícia Civil do Mato Grosso (MT) Jefferson Dias Chaves concedeu entrevista coletiva à imprensa, ontem, para explicar sobre investigações abertas contra ele naquele estado. Demonstrando estar emocionado em alguns momentos da entrevista, Chaves atribuiu a ''fofocas'' a suspeita de que ele teria ganho R$ 200 mil para não indiciar pessoas que teriam participação num homicídio ocorrido em 2007 na cidade de Pontes e Lacerda (446 km de Cuiabá). ''É mais fácil tentar manchar a vida de quem está acusando, é uma inversão de valores.''
''Como eu tomei todas as providências no caso, só tinha um jeito de tentar barrar isso, que foi dizer que eu estava ganhando dinheiro para não prender mandantes do crime.'' Segundo o delegado, o procedimento aberto para investigá-lo na Corregedoria da Polícia Civil do Mato Grosso foi a partir de um pedido formal dele. Chaves chegou a entregar à imprensa cópia de um ofício, com data de 10 de outubro de 2007, encaminhado ao então diretor geral da Polícia Civil, solicitando ''uma minuciosa investigação da Corregedoria Geral da PJC (Polícia Judiciária Civil) a respeito do dito dinheiro.'' A assessoria de imprensa da Polícia Civil confirmou que o procedimento foi arquivado e que não há mais nenhum processo interno contra Jefferson Dias Chaves.
Conforme o documento apresentado por ele, sete pessoas foram indiciadas e presas pelo homicídio de Vilmara de Paula, funcionária de um cartório contra o qual ela mantinha uma ação trabalhista. Ela pleiteva R$ 800 mil de indenização e teria ameaçado o ex-chefe de que contaria as irregularidades do estabelecimento, caso o dinheiro não fosse pago. O dono do cartório, Marcelo Souza Freitas, foi indiciado por Chaves como mandante do crime. Mas os filhos de Freitas, mais tarde denunciados pelo Ministério Público, não foram indiciados pelo delegado.
A suspeita de que ele teria recebido dinheiro para não prender os mentores do assassinato e ainda ''vazado'' informações do inquérito foram levantadas por ''parente da vítima'', confome o delegado. No ofício em que narra a sequência da investigação, ele afirma que ''cai por terra'' a tese da corrupção, pois no relatório houve a representação pela prisão de Freitas, dono do cartório. Sobre os filhos do suposto mandante, ''não havia elementos para tal indiciamento''. De acordo com Chaves, ''nas interceptações telefônicas que fizeram no meu telefone o Ministério Público não encontrou nada''.
Questionado sobre a sua ligação com o chamado ''grupo dos 30'', em Cuiabá, o futuro secretário londrinense negou que seja formado por traficantes contrabandistas, conforme notícias veiculadas na região. Ele reconheceu que mantinha um bom relacionamento com os integrantes, mas rechaçou supostas ações criminosas do grupo. ''Esse grupo dos 30 são pessoas da melhor índole possível que existe na cidade de Pontes e Lacerda. Eu tenho ligação com eles, pois conheço alguns, alguns são meus amigos.''
Diferente do prefeito Barbosa Neto, que anteontem criticou a imprensa de Londrina por ter divulgado informações sobre a investigação contra o delegado no Mato Grosso, Chaves afirmou que os jornalistas cumpriram o seu papel. ''Evidentemente, a imprensa está no papel de fiscalizar. Já pensou colocar um ladrão para tocar a secretaria de Defesa Social de Londrina?'', comentou.

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