Novo requerimento pede CPI para 'sanguessugas'
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quinta-feira, 01 de junho de 2006
João Domingos e Rosa Costa<br> Agência Estado 
Brasília - Os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Maria José Maninha (P-SOL-DF) e Raul Jungmann (PPS-PE), juntamente com a senadora Heloísa Helena (P-SOL-AL), protocolaram ontem na Mesa do Senado novo pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o envolvimento de parlamentares com a compra superfaturada de ambulâncias e fraude com verbas da Saúde, descoberto pela Operação Sanguessuga da Polícia Federal. O requerimento foi assinado por 230 deputados e 30 senadores.
O primeiro pedido de abertura de CPI fora negado quarta-feira pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele alegou uma falha regimental porque no ofício estava escrito ''Lista de apoiamento'', quando o correto, segundo Renan, seria ''Lista de signatários''. A atitude do presidente do Senado revoltou Gabeira, que qualificou Renan de ''chefe da facção do PMDB envolvida com os sanguessugas''. Para a abertura de uma CPI mista (Câmara e Senado) são necessárias as assinaturas de 27 senadores e 171 deputados.
Gabeira disse que, se o senador Renan Calheiros encontrar novamente uma filigrana política para impedir a instalação da CPI, os autores do pedido de investigação pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). ''É um direito do Congresso fazer a investigação, identificar os culpados e colocá-los na cadeia'', afirmou Gabeira. Se houver pressão para a retirada de nomes, os defensores da CPI pretendem contra-atacar. Vão divulgar os nomes dos fujões.
Para Heloísa Helena, a iniciativa do requerimento atende a uma exigência do povo brasileiro, que quer saber quais são os parlamentares e funcionários dos Ministérios da Saúde e da Fazenda que estão envolvidos na fraude. Em relação ao requerimento apresentado ontem, Calheiros disse que vai tomar uma decisão em conjunto com os líderes dos partidos. ''É preciso ter muita calma, muito equilíbrio para ajudar que se avancem nas investigações, mas é preciso ter muita preocupação também com os sanguessugas da mídia, com os vampiros da mídia, com essas pessoas que querem aparecer desesperadamente'', afirmou Calheiros, sem, no entanto, citar os nomes das pessoas a que se referia.


