Curitiba - O novo relator do projeto de lei que autoriza a construção da Usina Hidrelétrica Mauá, deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), informou ontem que solicitou uma diligência à Copel. O pedido adiou a apresentação do parecer do tucano sobre o projeto dentro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Legislativo.
Ontem, na reunião semanal da CCJ, era esperado que Traiano já revelasse seu voto sobre o projeto. Na semana passada, ele havia inclusive antecipado à imprensa que não concordava com a aprovação do projeto, pois a obra da Mauá já está em andamento, embora sem autorização prévia do Legislativo. Ou seja, não caberia aos parlamentares apenas homologarem uma situação já consumada.
O mesmo argumento já tinha sido usado pelo relator anterior do assunto, Reni Pereira (PSB). O voto de Reni, pela rejeição ao projeto de lei, acabou sendo seguido pela maioria dos membros da CCJ, mas o líder da base aliada, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), recorreu contra o resultado da votação. Por conta do recurso, aceito pela CCJ, um novo relator foi designado para fazer o reexame do projeto.
Traiano explicou que pede à Copel que ''deixe claro'' qual é a abrangência da lei estadual 14.896, de 2005, que autorizou a formação do Consórcio Energético Cruzeiro do Sul, responsável pela obra da Mauá. O consórcio é uma parceria entre a Copel (majoritária com 51% de participação) e a Eletrosul, estatal federal do grupo Eletrobrás, com 49%. O governo do Estado argumenta que, ao aprovar a participação da Copel no consórcio, o Legislativo já estaria dando, indiretamente, uma autorização para a construção da Mauá. Romanelli sustenta ainda que o projeto que autoriza a Mauá só foi enviado para o Legislativo por ''excesso de zelo''.
''Na minha concepção, a lei de 2005 só autoriza o consórcio. Mas, se a Copel me convencer do contrário, eu vou me render'', indicou Traiano. Pelo Regimento Interno do Legislativo, a Copel teria até 30 dias para apresentar uma resposta ao tucano.

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