Curitiba - O novo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, desembargador Miguel Kfouri Neto, fez ressalvas ao trabalho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) durante seu discurso de posse, ontem. Segundo ele, é compreensível o papel do CNJ no que diz respeito à ''padronização'' das ''boas práticas'' adotadas no Judiciário brasileiro, mas que o órgão não pode ''apontar determinadas mazelas denegrindo o Tribunal de Justiça''. ''É preciso que se fale, mas sem denegrir'', disse ele.
Kfouri não foi o único ontem que fez críticas ao papel do CNJ. O desembargador Telmo Cherem, que também discursou na cerimônia de posse, disse que havia ''preocupação'' com a atuação do CNJ. Segundo ele, o CNJ foi ''invasivo em alguns casos'', o que enfraqueceria as Justiças estaduais. ''A quem interessa a concentração de poder da União?'', afirmou Cherem.
Uma inspetoria feita pelo CNJ no final de 2009 resultou num relatório que aponta mais de 100 problemas no Judiciário paranaense.
O novo presidente do TJ afirmou ainda que sua prioridade será o primeiro grau da Justiça e que o projeto do Centro Judiciário, prédio que seria abrigado no bairro Ahú, em Curitiba, deve mesmo ser modificado. A ideia é adotar uma versão mais barata, adequada ao orçamento.
Kfouri Neto tem 59 anos e é formado em Letras e em Direito. Iniciou sua carreira de magistrado em 1984, após ser aprovado em concurso público. Em 2005 passou a ocupar o cargo de desembargador do TJ. Entre 2008 e 2009, ele foi presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar).

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