Brasília - A avaliação do governo é que o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, conseguiu passar no primeiro teste de fogo com o mercado financeiro. Ontem, quando o nome dele foi aprovado pelo Conselho de Administração da estatal para assumir a presidência da petroleira em crise, as ações preferenciais da companhia, que são as mais negociadas, fecharam em queda de 6,94%. Apesar de forte, a queda foi menor do que em 8 de abril de 2009, quando Bendine foi anunciado como presidente do BB. Naquele dia, as ações do maior banco do País caíram 8,15%.
Há quase seis anos, Bendine foi escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o BB com a condição de seguir à risca uma espécie de contrato de gestão: ampliar a participação do banco no mercado de crédito, oferecer melhores condições de empréstimo e ser mais agressivo com a concorrência. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega também determinou que ele orientasse o setor de seguros, área em que o BB estava atrás dos concorrentes. Seu antecessor, Antonio Francisco de Lima Neto, não seguiu a cartilha do Planalto e foi retirado do cargo.
À frente do BB, Bendine seguiu todas as recomendações do governo federal e não se importou com criticas de que o banco, sob sua gestão, se tornou um braço do governo na aplicação da política econômica. "Eu resgatei um pouco esse papel do Banco do Brasil enquanto agente de desenvolvimento econômico e social. Queria dizer: ele tem um papel de governo, de fato", disse, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" em agosto de 2013. "Sei que o mercado ainda precifica muito a gente negativamente por causa dessa possível interferência, ou intervenção, governamental", afirmou, na ocasião.
Ele deixa o comando do maior banco da América Latina, com volume de ativos que ultrapassa a marca de R$ 1,3 trilhão. O BB aumentou a participação no mercado em meio à retração dos bancos privados. Pelos dados mais atualizados - do 3º trimestre do ano passado - o BB tem a maior carteira de crédito entre as instituições financeiras brasileiras, correspondente a 21,1% do mercado de crédito nacional. É o maior banco da América Latina, com mais de 100 mil funcionários e mais de 60 milhões de clientes. Em abril de 2013, a oferta inicial da BB Seguridade arrecadou US$ 5,74 bilhões, o maior valor atingido por uma empresa brasileira desde 2009. O valor foi maior do que as empresas americanas Twitter e Hilton arrecadaram em conjunto (US$ 4,5 bilhões).
Bendine nasceu em dezembro de 1963 em Paraguaçu Paulista (SP). Graduado em administração de empresas, ingressou no BB em junho de 1978, com 14 anos, como office-boy em um programa de Jovem Aprendiz. Antes de assumir a presidência do BB, ocupava o cargo de vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo.
O novo presidente da Petrobras tem laços políticos com o PT, apesar de não ser filiado à sigla. Entre seus padrinhos, está o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, que fez carreira no sindicalismo bancário. O Palácio do Planalto, ainda com Lula, colocou Bendine à frente do BB para influenciar mais diretamente as decisões da instituição pública com o objetivo de minimizar efeitos da crise econômica. Lula criticava o antecessor por ser contrário ao uso do banco público como ferramenta de combate à crise.
Ao contrário, Bendine sempre foi obediente à cartilha do Planalto. Foi assim em 2012, quando o governo iniciou uma cruzada contra o alto custo do crédito no Brasil. O BB foi o primeiro banco a ver espaço para reduzir os juros e as taxas bancárias, com o programa Bom Para Todos, sendo seguido, posteriormente, pelos demais concorrentes.
Nem mesmo as polêmicas em que esteve envolvido diminuíram o prestígio dele com o ex-presidente Lula e Dilma. Uma das últimas diz respeito a um empréstimo de R$ 2,7 milhões do BB, com recursos do BNDES, aprovado para a socialite Val Marchiori, amiga pessoal de Bendine. O banco disse em defesa que não houve ilegalidade na operação.
Ele também pagou multa de R$ 122 mil à Receita Federal após ter sido autuado por não informar a procedência de R$ 280 mil em sua declaração do Imposto de Renda. Apesar de ser presidente do maior banco do País, Bendine guardava a quantia em sua casa. Para escapar de um processo por ter violado o período de silêncio durante o IPO da BB Seguridade, Bendine pagou multa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O primeiro imbróglio foi em 2012, quando disputou o poder com Ricardo Flores, presidente da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) na época. A presidente Dilma ameaçou demitir ambos, mas apenas Flores e o ex-vice-presidente Allan Toledo, que se aliou a Flores, foram defenestrados e perderam o poder.

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