Imagem ilustrativa da imagem Novo presidente da Câmara não quer atropelo em discussão sobre IPTU
| Foto: Fábio Alcover
"Este debate não pode ser feito em caráter de emergência. É uma medida que vai impactar a cidade e ninguém gosta de aumento de imposto", declarou Takahashi


O novo presidente da Câmara Municipal de Londrina, Mário Neto Takahashi (PV), afirmou nesta segunda-feira (2) que pretende manter "relação independente e harmônica" com o governo do prefeito Marcelo Belinati (PP); negou qualquer interferência do Executivo em sua escolha; e disse espera que eventual envio de projeto para revisar Planta Genérica de Valores (PGV) para calcular o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) seja feito sem pressa e sem atropelos.

Na primeira entrevista como prefeito de Londrina, Belinati sinalizou para a necessidade de atualizar a PGV. "Há que se corrigir distorções. Há condomínios de luxo pagando menos impostos que residências em bairros afastados. Nossa equipe vai analisar isso", defendeu, na noite de domingo (1), depois da posse.

Atualizar a planta significa corrigir distorções, já que a última alteração ocorreu em 2001 e, desde então, houve valorização considerável na maior parte dos imóveis de Londrina, mas, certamente, implicará aumento de imposto para a maior parte dos contribuintes e, consequentemente, mais recursos no orçamento.

Para Takahashi, "este debate não pode ser feito em caráter de emergência". "É uma medida que, se implantada, vai impactar a cidade e ninguém gosta de aumento de imposto", declarou. "Outro ponto que vou levar em consideração é que a planta deve ter objetivo de justiça fiscal e não ser meramente arrecadatória. Se não for assim, serei muito crítico." Neste contexto, o novo presidente da Câmara também defendeu que o governo municipal revise outros impostos, como o ISS e a cota-parte do município no ICMS.

Nas tratativas com o Executivo, disse que pretende manter a independência, mas, também cultivar uma relação harmoniosa. "De maneira geral, pelo que conversei com vários vereadores, todos vão apoiar nos projetos que forem para ajudar o município. Se o projeto não for adequado, vamos tomar posição."

DECORO PARLAMENTAR

O novo presidente, que substitui o ex-vereador Fábio Testa (PPS), disse que manterá uma postura rígida em relação a eventual quebra de decoro pelos pares – há temor sobre o comportamento excessivo do vereador Boca Aberta. "Tratarei a todos com respeito e chamarei a atenção de todos. Todos os vereadores devem manter um comportamento adequado, de acordo com as regras do Legislativo", disse Takahashi. "As sanções cabíveis serão aplicadas."

Ontem, Takahashi reuniu-se com servidores e já escolheu alguns comissionados para permanecerem nos cargos, como o procurador jurídico Miguel Aranega Garcia, o advogado Mauro Matiniano e a jornalista Ana Paula Rodrigues Pinto. O vereador disse que irá buscar indicação para o cargo de diretor do Legislativo no Conselho Regional de Administração e o controlador será escolhido entre servidores efetivos da Câmara.

Entre suas prioridades, está a reforma do prédio do Legislativo, que tem rachaduras e goteiras e problemas na fiação elétrica. Porém, disse que fará, inicialmente, um levantamento da situação e eventuais medidas começam a ser tomadas em março.

Quanto à revogação do pagamento de anuênio e quinquênio para servidores comissionados – verba indevida, segundo o Tribunal de Contas do Paraná e o Ministério Público Estadual – Takahashi disse que apenas o prefeito pode enviar projeto com tal teor, já que é competência exclusiva do Executivo a alteração do Plano de Cargos, Carreira e Salários do funcionalismo. O projeto enviado pelo ex-prefeito Alexandre Kireeff (PSD) foi arquivado pela legislatura passada.

ELEIÇÃO
Takahashi, que está no segundo mandato, conseguiu eleger-se em uma chapa composta apenas por novatos: Ailton Nantes (PP) será vice-presidente; Filipe Barros (PRB), primeiro secretário; Eduardo Tominaga (DEM), segundo secretário e João Martins (PSL), terceiro. Não houve bate-chapa e, à exceção de Emerson Petriv, o Boca Aberta (PR), que votou em si próprio, todos os demais parlamentares escolheram Takahashi.

As comissões internas da Câmara serão formadas na primeira sessão ordinária, em 1 de fevereiro. São 11 comissões e a maioria é composta por presidente, vice e membro.

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