Novo presidente da AL será eleito hoje
Leandro Donatti
De Curitiba
A Assembléia Legislativa do Paraná decidiu escolher hoje à tarde seu novo presidente. A eleição, que pelo Regimento Interno deveria ocorrer dentro de cinco dias depois da morte de Aníbal Khury, estava marcada para amanhã, mas foi antecipada ontem por um acordo de lideranças para pôr fim à briga pela sucessão. O líder do governo Valdir Rossoni (PTB) e o 1º vice-presidente, Nelson Justus (PTB), não haviam chegado a um consenso até ontem à noite. Aliados do governador Jaime Lerner (PFL), Rossoni e Justus sinalizavam firme disposição em se enfrentar num bate-chapa. O vitorioso na eleição de hoje fica com o legado de Aníbal, sepultado na última terça-feira.
Votam hoje, em escrutínio secreto, os 54 deputados. Será considerado vencedor o candidato que obtiver 28 votos. Até o início da noite de ontem, o secretário do Governo da Prefeitura de Curitiba, Marcos Isfer, deputado licenciado, não havia manifestado disposição em retornar à Assembléia. Ele foi para a prefeitura por conta de um acordo entre o prefeito Cassio Taniguchi e Aníbal, Isfer pode tirar o suplente Albanor Gomes (PSDB) do processo eleitoral se vier a assumir.
O clima no Centro Cívico, ontem, estava bastante quente. Rossoni e Justus mantinham-se intransigentes à decisão de concorrer. Continuo candidato. Tive 52 votos como vice-presidente e aposto na minha vitória. Acho natural a minha intenção. Morre o Aníbal, eu sou o vice, e não vou concorrer?, questionou Justus. O deputado, que conta com a torcida do Palácio Iguaçu, descartou qualquer possibilidade de arranjo com Rossoni. Nos bastidores, Justus teria dito ainda que, se derrotado hoje, renuncia à função de vice, para não ter de conviver com Rossoni.
O líder do governo teve duas reuniões com o governador. A primeira, às 11 horas, foi bastante tensa. Rossoni foi ao Palácio cobrar a imparcialidade de Lerner e já falava como ex-líder do governo. O deputado suspeita que o governo está dando suporte à campanha de Justus. Lerner sabe e conhece a minha lealdade, a mesma que sempre me norteou quando fui seu líder do governo, declarou. Rossoni irritou-se com as especulações ventiladas no governo de que sua candidatura tem por trás o Grupo dos 21, aliados que se rebelaram contra Lerner por causa da crise financeira.
Não vou ser tutelado por ninguém. Vou ser presidente de um Poder que vai tratar os deputados de forma igual. Eu não nasci para comer na mão de ninguém, mandou o recado. Rossoni voltou a insistir na tese de que tem a maioria absoluta dos votos para eleger-se hoje. O deputado evitou dar margens para descontentamentos no PTB. Disse que a sua filiação no PFL o que acomodaria os interesses do partido e garantiria a unidade do Grupo dos 21 fica para ser discutida em um outro momento. Discutir isso agora é o mesmo que tentar desestabilizar a minha candidatura.
Rossoni disse que, se eleito, vai administrar a Assembléia como uma empresa. Vou chamar os funcionários para discutir os problemas, prometeu. Nelson Justus também já estava com o discurso de candidato pronto. Tenho experiência e acho que posso contribuir para o bom funcionamento do Poder Legislativo. Sou do tipo que jamais vai falar alguma coisa contra o Rossoni, assinalou.Acordo entre líderes antecipou a escolha em um dia. Rossoni e Justus disputam legado deixado por Aníbal Khury
Arquivo FolhaNATURALIDADEJustus: Sou o vice e não vou concorrer?Arquivo FolhaFIDELIDADERossoni: Governo sabe de minha lealdade





