Novo prefeito faz devassa nas contas
Novo prefeito faz devassa nas contas
Edson MazzettoPrefeito Pedro Sônego (o segundo da direita para a esquerda), assessores e vereadores se debruçam sobre documentos da gestão do prefeito cassadoO prefeito Pedro Sônego quer uma auditoria do Tribunal de Contas para avaliar os negócios da prefeitura, principalmente na fase final da gestão de Ricardo Luzetti. Atualmente, uma investigação feita por funcionários da prefeitura e com participação de vereadores está sendo realizada.
O prefeito, os vereadores Agostinho Areco, Geraldo Fermino da Silva, Pedro Almeida de Oliveira (PFL) e Genésio Brognoli (PSDB), e assessores, apresentaram à Folha inúmeros documentos que, segundo eles, comprovam irregularidades ou dão indícios de outras.
Na contabilidade da prefeitura foram encontradas, por exemplo, duas notas de uma firma de autopeças de Umuarama (Noroeste do Estado), ambas com data de 19 de abril do ano passado, e valores de R$ 3,9 mil e R$ 2,1 mil, referentes a compra de peças para uma pá-carregadeira e um caminhão que atendiam o Distrito de Santa Rita do Oeste. O empenho para pagamento, no total das duas notas R$ 6 mil saiu em nome de Osvair Frasson, que era diretor do Departamento de Compras da prefeitura.
Segundo declaração por escrito do dono de uma das firmas, a nota fiscal não pertence a seu talonário, e declarações do administrador distrital de Santa Rita e do motorista da subprefeitura atestam não ter sido trocada qualquer peça no caminhão e na carregadeira.
Outra nota, de 7 de abril do ano passado, emitida por uma empresa de peças de São Paulo relaciona gastos de peças que teriam sido compradas para ônibus da Secretaria de Educação. O empenho e o pagamento foram atribuídos a Ernesto Witzke, casado com uma irmã do ex-prefeito, e que era chefe do Departamento de Limpeza Pública.
As mesmas peças, que teriam sido compradas por R$ 7,6 mil, custam R$ 154,00 em Terra Roxa, segundo orçamento solicitado a uma firma local no dia 5 deste mês. Há um empenho complementar sobre a mesma nota, de mais R$ 5,8 mil. A mesma firma de Terra Roxa orçou em R$ 2,2 mil outras peças, para um ônibus, compradas por R$ 7,3 mil de uma empresa de Campinas (SP), em maio de 99. Outra nota da firma paulista, de R$ 7,4 mil (peças para carros da Secretaria de Obras), tem orçamento local de apenas R$ 1,5 mil. Em todos estes casos, empenhos e pagamentos são igualmente atribuídos a Ernesto Witzke.
Também para ele, R$ 6,9 mil de empenho cuja nota não foi localizada, e R$ 5,5 mil de locação de ônibus para transporte escolar. A Folha procurou Witzke em sua casa bastante humilde mas a informação foi de que ele estava viajando.
O ex-assessor jurídico da prefeitura, Ricardo José Luzetti, filho do ex-prefeito, diz que é normal funcionários ou chefes de departamento fazerem compras pagando com dinheiro do bolso, sendo depois reembolsados. Areco discorda: Muito estranho isso ser normal.
Outras notas e empenhos semelhantes proliferam. Pedro Sônego especula que talvez quem sabe ainda apareçam comprovantes que faltam, mas até agora, nada. Com relação a Witzke, afirma que este lhe disse recentemente que apenas assinava papéis, mas sem receber os valores. Ele chegou a dizer que assinava em branco e nunca fez nenhum tipo de compras, conta. O prefeito não sabe quem teria ficado com o dinheiro.
No dia 10 de janeiro, já com o processo de cassação em curso, Luzetti assinou procuração em cartório de Santa Quitéria (Distrito de Curitiba), para uma empresa de terraplanagem de Terra Roxa (Trans-Tec) receber R$ 236,7 mil, diretamente no Banestado, do crédito de ICMS do município, por supostos serviços prestados, sem autorização da Câmara. No dia 13 de março, já cassado, Luzetti, se aprsentou ainda como prefeito e cancelou a procuração no cartório.
No dia 14, Pedro Sônego lavrou outra escritura, em Terra Roxa, porque o cancelamento feito por Luzetti nada valeria, uma vez que já estava destituído do cargo. Segundo Sônego, não foram encontradas notas ou empenhos que justificassem o pagamento dos R$ 236,7 mil. Da mesma firma, há recibos e cópias de quatro cheques pré-datados (de fevereiro a maio deste ano), todos já sacados o último dos recibos, com data de 1º de maio próximo. A justificativa também não foi encontrada ainda.
O prefeito também mostrou contas de gasolina do período Luzetti: em janeiro, com 20 dias de férias coletivas, a prefeitura gastou R$ 39,4 mil, de acordo com os empenhos. Em um mês, já sob a administração de Sônego, e com toda a máquina funcionando, foram R$ 26 mil. (P.P.)





