O novo prefeito de Sarandi (Noroeste do Estado), Carlos Alberto de Paula Junior (PDT), tomou posse ontem em sessão extraordinária realizada na Câmara de Vereadores da cidade de 90 mil habitantes, localizada na Região Metropolitana de Maringá (RMM), já com a promessa de corte de 70% dos mais de 100 cargos comissionados e de uma reformulação quase completa no secretariado - e para ainda hoje.
O pedetista assumiu a vaga que, na madrugada, foi aberta com a cassação do então prefeito Milton Martini (PP), na sessão de julgamento que durou mais de 20 horas - começou às 9h30 de anteontem e se arrastou até as 4h30 de ontem. Martini era acusado de mau uso do dinheiro público em função da suposta compra de cerca de R$ 7,7 mil em produtos agrícolas, sem licitação, na loja de familiares do então chefe de gabinete da Prefeitura, Ailson Donizete de Carvalho. A Comissão Processante (CP) que indicou a cassação foi instalada no final do ano passado.
A decisão foi por unanimidade - mesmo os cinco vereadores da base aliada a Martini, na Casa, votaram pela punição - e não teve nem o agora ex-prefeito, tampouco advogados dele acompanhando a sessão. Advogados de Martini até chegaram a comparecer ao Legislativo, mas decidiram deixar o prédio após verem negado o pedido para que a sessão de julgamento fosse adiada. A leitura de todo o processo de 544 páginas contra Martini, a pedido dos advogados, e algumas paralisações da sessão levaram o julgamento madrugada adentro e assinalaram aquela que é a primeira cassação de mandato de um prefeito nos 24 anos de Sarandi, ex-distrito de Marialva.
Fora da Câmara, estudantes e militantes de partidos fizeram muito barulho para pressionar os dez parlamentares a votarem pela cassação. Ao final, o público sorteado - em função da quantidade de vagas - para acompanhar a sessão aplaudiu de pé a decisão.
Martini, que cumpria seu segundo mandato não consecutivo, também é investigado na Justiça por supostas irregularidades à frente da Prefeitura. Há pouco mais de dois meses, por exemplo, ele foi afastado do cargo em uma dessas investigações por suposta coação a funcionários públicos que são testemunhas de processos em curso. A decisão, no entanto, acabou revertida, e o pepista retornou ao posto.
O novo prefeito, que assume a vaga pela segunda vez - a outra havia sido justamente em dezembro - rompera com Martini em 2009, quando começaram a chegar denúncias envolvendo o chefe do Executivo e antes da instalação da CP no Legislativo. Segundo Paula Junior, a cassação ''reflete uma crise que vem há tempos''. 'Antes foi o afastamento pela Justiça, agora pela Câmara - tanto que até a base dele e mesmo seu líder no plenário votaram pela cassação'', citou. Conforme o prefeito recém-empossado, a reforma administrativa já começa hoje.
''Estou montando meu secretariado e amanhã (hoje) mesmo anuncio os nomes - só vou manter os de Fazenda e Desenvolvimento Econômico. Serão cortados 70% dos comissionados e, de agora em diante, saúde e vias públicas serão priorizadas. A cidade vive um momento histórico'', discursou o ex-vice.
A FOLHA tentou contato com Martini, ontem, na residência do ex-prefeito, mas ele não foi localizado.

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