Curitiba - O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), que se reúne hoje em Curitiba para discutir a criação de um novo partido político, tem um grande desafio no Paraná. A nova sigla seria uma opção para aqueles que estão descontentes com o PT e com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas até mesmo os petistas paranaenses mais alinhados à esquerda acham que a criação de um novo partido não resolve a crise interna do PT e os problemas atuais do Brasil.
O presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida, conhecido como Zé Maria, passa o dia em Curitiba para debater programas e diretrizes da nova sigla. O movimento nacional já foi lançado há algumas semanas, no auge da briga entre os parlamentares petistas com o governo Lula. Segundo ele, a intenção é lançar um manifesto para a sociedade se mobilizar na criação da nova legenda. ''Vamos aproveitar o pessoal do próprio PSTU, dos movimentos sociais que estão rompendo com o PT e também parlamentares'', disse ontem em entrevista à Folha.
A principal dificuldade na criação de outro partido, de acordo com Zé Maria, é a indefinição de alguns parlamentares. ''Muitos deputados descontentes com o governo queriam legalizar rapidamente um partido, preocupados com as eleições do ano que vem. Nós concordamos em ceder a legenda do PSTU para quem quiser concorrer, mas não aceitamos criar um partido na correria. Queremos fazer um trabalho sólido e sustentável'', declarou.
O presidente estadual do PT, deputado estadual André Vargas, disse que o partido não tem nenhuma preocupação com a reunião do PSTU. ''Não tememos dissidências no PT. Muito pelo contrário, estamos sendo procurados por lideranças políticas para novas filiações'', afirmou.
Para o deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha, ainda é muito cedo para julgar o governo Lula. ''O governo está no início, com grande apoio da população e das principais lideranças sociais, tanto sindicais quanto políticas'', disse ele, considerado um dos parlamentares mais radicais do PT. Ele reconhece a existência dos descontentes, ''que não são poucos'', mas sustenta que a criação de outra sigla não mudaria o caminho político brasileiro.

mockup