"Imagina um ministro da Justiça pedir para alguém tergiversar nessa investigação? Isso seria a negação da República", disse Osmar Serraglio, contestado pelo PMDB de Minas Gerais
"Imagina um ministro da Justiça pedir para alguém tergiversar nessa investigação? Isso seria a negação da República", disse Osmar Serraglio, contestado pelo PMDB de Minas Gerais | Foto: Lucio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados



Brasília - O deputado federal do Paraná Osmar Serraglio (PMDB) foi escolhido pelo presidente Michel Temer para o Ministério da Justiça. A decisão foi tomada nessa quinta-feira (23). A escolha contempla demanda da bancada do PMDB na Câmara, que vinha pleiteando mais espaço no governo. Com a confirmação de Serraglio no cargo, o Paraná passa a contar com dois integrantes no Ministério de Temer. Além do peemedebista, o Estado é representado por Ricardo Barros (PP), que comanda o Ministério da Saúde.

Serraglio confirmou à reportagem que aceitou o convite de Michel Temer para comandar o Ministério da Justiça e disse que acertou com o presidente da República o compromisso de manter "distância" da Operação Lava Jato. Por volta das 16h30, Serraglio disse ter recebido a informação de que sua nomeação fora oficializada pelo Palácio do Planalto, apesar das críticas públicas da bancada do PMDB de Minas Gerais. Até as 17h, porém, a informação da nomeação não havia sido confirmada pelo governo.

"A ordem é manter distância [da Lava Jato], porque a gente sabe que qualquer coisa que você faça, você se contamina, então é pra deixar pra lá", disse Serraglio.

A Polícia Federal está sob o guarda-chuva administrativo do Ministério da Justiça. Questionado se esse cenário de distanciamento é factível apesar de vários caciques do seu partido serem alvos da operação, o peemedebista reforçou o discurso: "Imagina um ministro da Justiça pedir para alguém tergiversar nessa investigação? Isso seria a negação da República".

Serraglio afirmou ainda que Temer lhe pediu para conduzir as negociações para a ocupação da Secretaria Nacional de Segurança Pública, que segundo ele continuará subordinada ao ministério. O deputado disse que o primeiro nome a ser procurado para ocupar a vaga será o do criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, amigo de Temer, que chegou a ser cotado para comandar o próprio Ministério quando o PMDB chegou ao poder, mas que foi descartado devido a declarações que deu com críticas à Lava Jato.

"A partir de agora temos que ver como construir essa possibilidade sem que ele fique melindrado", diz Serraglio, em referência à decisão de que a secretaria continue sob o comando do Ministério da Justiça.

RACHA
À reportagem Serraglio disse que não sabia ainda das críticas contra a sua indicação feitas pelo vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho, que é do PMDB de Minas. A bancada mineira queria a vaga. "Mas Minas tem a vice-presidência da Câmara e vai ganhar a Comissão de Constituição e Justiça", disse, referindo-se a acordo para colocar no comando da principal comissão da Câmara o peemedebista de Minas Rodrigo Pacheco. "A minha nomeação é uma valorização da bancada do PMDB, para que a gente procure amenizar eventuais desconfortos", afirmou.

CUNHA
Serraglio também rebateu afirmações de colegas de que ele deve favores a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso em Curitiba, por pertencer ao grupo do PMDB que foi comandado pelo ex-presidente da Câmara. "Claro que não vou minimizar a importância política e a liderança que ele exercia na Casa, mas a Comissão de Constituição e Justiça reconheceu que não agi de forma parcial", disse o deputado, se referindo à decisão da CCJ, sob seu comando, de rejeitar pedido de Cunha para anular seu processo de cassação. Serraglio comandou a comissão em 2016 após uma articulação política liderada por Cunha. "Essa história de que devo favor a Cunha é folclore."

HISTÓRICO
A indicação para a pasta ocorre após a saída de Alexandre de Moraes, que deixou o ministério no início deste mês após ser indicado por Temer para a vaga do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal.
A nomeação de Moraes foi aprovada na quarta-feira (22) pelo plenário do Senado. O novo ministro tomará posse na Corte no mês que vem.
Serraglio assumirá o ministério em meio a uma forte pressão contra interferências políticas na Operação Lava Jato e à ameaça de novas crises na segurança pública.
Ele não foi a primeira opção de Temer. Acabou se destacando entre as indicações levadas ao presidente depois que o ex-ministro do STF Carlos Velloso recusou convite para assumir a pasta, alegando compromissos com clientes de seu escritório de advocacia.
A decisão de Velloso irritou integrantes do Planalto, especialmente por ter sido anunciada depois de o ex-ministro dizer que tinha sido chamado a ajudar a salvar o país. Nesse cenário, Temer reabriu consultas sobre o nome para o Ministério da Justiça, já sinalizando que tendia a fazer uma escolha baseada também num cálculo político, para prestigiar sua base no Congresso.

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