Novo mínimo tem ganho real de apenas 1,2%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de abril de 2004
Agência Folha 
Brasília - O salário mínimo subirá, a partir de amanhã, de R$ 240 para R$ 260. O ganho real - ou seja, acima da inflação - estimado pelo governo é de 1,2%, o mesmo concedido no ano passado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu, na campanha eleitoral, dobrar o valor real do mínimo ao longo de seu mandato. Coube a três ministros - Guido Mantega (Planejamento), Ricardo Berzoini (Trabalho) e Amir Lando (Previdência) - a tarefa de anunciar o reajuste, decidido após uma série de longas reuniões internas nos últimos dias. Prevaleceu a posição da equipe econômica, que vetou um aumento maior para não prejudicar o programa de ajuste fiscal.
Os questionamentos a respeito da virtual impossibilidade do cumprimento da promessa eleitoral de Lula dominaram o anúncio do novo mínimo. Em mais de uma ocasião, Berzoini demonstrou irritação com o tema. ''O que comandou a decisão foram dois princípios: a estabilidade orçamentária e o compromisso do presidente de buscar o maior valor possível'', disse o ministro, respondendo a uma pergunta sobre a distância entre o aumento concedido e o necessário para dobrar o valor de compra do mínimo. Berzoini emudeceu quando jornalistas replicaram que a pergunta não havia sido respondida.
Os dois reajustes reais do mínimo concedidos por Lula - os menores desde o 0,71% de 1999 - somam 2,4%. Para chegar aos 100%, seriam necessários aumentos de 39,8% acima da inflação nos próximos dois anos do mandato de Lula.
Berzoini adotou um tom ainda mais áspero ao rebater a cobrança do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), para quem Lula deveria pedir desculpas públicas ao país por ter prometido algo que não vai cumprir. ''Quem deveria pedir desculpas foi quem pegou o país com uma dívida pública de 20% (30%, na verdade) do PIB (Produto Interno Bruto) e deixou uma de 60%'', disse.
''Não estou envergonhado. Continuo defendendo aquilo que defendi a vida inteira'', disse Mantega, que também insistiu na tese de que o endividamento herdado pelo governo impossibilitou um reajuste maior. Segundo ele, o equilíbrio fiscal permitirá uma queda mais rápida dos juros e beneficiará os trabalhadores como um todo.
Como já era esperado, o governo anunciou um aumento mais expressivo do salário-família - que beneficiará famílias com renda até R$ 586 e filhos de até 14 anos - como complemento ao reajuste do mínimo. As regras definidas acabaram mais favoráveis que o previsto inicialmente.


