Novo mínimo beneficiará 190 mil no PR
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terça-feira, 02 de maio de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Amanhã, cerca de 190 mil trabalhadores do Paraná já devem contar com um salário maior no seu próximo pagamento. Este é o número estimado de pessoas que vão ser diretamente beneficiadas com o salário mínimo regional de R$ 437. Hoje, a Assembléia Legislativa vota o projeto, de autoria do governador Roberto Requião (PMDB). Praticamente todos os 54 deputados estaduais já declararam publicamente que vão votar a favor da medida. Ontem as centrais sindicais, apoiadas pelo governo do Estado, lotaram as galerias da Assembléia e colocaram três trios elétricos em frente à Casa dando uma demostração de como vão acompanhar a votação.
Essa Casa deu demonstração democrática ao discutir esse projeto dando oportunidade de todas as entidades virem colocar seu posicionamento. Nossas boas-vindas a todos nossos visitantes, discursou o presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB) ao abrir a sessão de ontem. Logo depois do presidente diversos deputados aproveitaram as galerias lotadas para discursar na tribuna. A primeira foi a deputada Elza Correia (PMDB) que, após defender o novo salário mínimo, saiu ovacionada da tribuna. Depois da deputada, falaram o deputado Neivo Beraldin (PDT) e o deputado Cleiton Kielse (PMDB), que dificilmente comparece e permanece durante toda a sessão.
Pelo menos duas emendas devem ser apresentadas ao projeto do salário mínimo regional durante a primeira votação de hoje. O deputado Marcos Isfer (PPS) afirmou que seu partido vai apresentar uma emenda pedindo que o salário mínimo regional tenha aumento real de 7% ao ano por 12 anos consecutivos para assim atingir o valor considerado ideal pelo Departamente Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese), que hoje está na casa dos R$ 1,4 mil. Já a Comissão de Finanças, presidida pelo deputado José Maria Ferreria (PMDB), apresentou uma emenda pedindo que o novo salário valha também para os servidores públicos do Estado que recebem piso abaixo de R$ 437.
Brandão afirmou que pretende votar hoje a primeira e a segunda discussão (na sessão extraordinária) do projeto. No entanto, se forem apresentadas emendas e o plenário não for transformado em Comissão Geral para analisá-las na hora o projeto tem que voltar para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E para transformar em Comissão Geral era preciso ser feito um requerimento ontem, o que não aconteceu. Não pedi. Se precisar derrubar as emendas derrubamos e continuamos a votação. A emenda da Comissão de Finanças não faz sentido porque todo mundo no Estado já ganha mais do que isso, argumentou o líder do governo na Casa, deputado Dobrandino da Silva (PMDB).
O deputado Élio Rusch (PFL), que assina a emenda pedido que o salário mínimo regional seja estendido para os servidores públicos do Estado, explicou que o projeto de lei do governo é contraditório quando diz primeiro que vale para as categorias que não possuem dissídio coletivo e depois que vale para todas as categorias que ganham menos que R$ 437. Segundo ele, esse segundo artigo fere a Constituição Federal tornando o projeto, portanto, inconstitucional. Se eu fosse a bancada do governo apresentava uma emenda supressiva. Caso contrário, o projeto corre o risco de ser derrubado na Justiça, considerou.
O presidente da Assembléia foi aplaudido e disputado ontem pelos sindicalistas que ocuparam as galerias. O presidente do Comitê pela Aprovação do Salário Mínimo Regional, Doático do Santos, entregou a Brandão uma camisa com o slogam usado pelo governo do Estado em propagandas espalhadas por toda a Capital pedindo a aprovação da medida.
A CUT-PR e o Sindicado dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) entregaram ao presidente da Assembléia sete cestas básicas para mostrar quanto deve crescer o poder de compra do trabalhador com o novo salário.


