Novo integrante da CP na mira da defesa de Gouvêa
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Janaina Garcia<BR> Reportagem Local 
Era para ser um sorteio simples pela definição do terceiro membro, mas a definição do vereador Roberto Fu (PDT) como novo integrante da Comissão Processante (CP) que investiga, na Câmara, o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP), acabou abrindo brecha a um novo embate entre o grupo e a defesa do parlamentar. A exemplo do que já fizera com Ivo de Bassi (PTN), que anteontem renunciou ao posto na CP, o advogado de Gouvêa, Guilherme Gonçalves, afirmou ontem que vai pedir a suspeição também do pedetista.
Fu foi sorteado pela vereadora Sandra Graça (PP), convidada para a escolha dos nomes de parlamentares aptos a assumir o posto. Na sessão que instalou a CP, assim como Bassi, o atual líder do PDT no plenário também teve questionada pelo advogado de Gouvêa a isenção para votar a admissibilidade da denúncia contra o vereador acusado. Motivo: assim como Bassi, Fu depusera contra Gouvêa, no Ministério Público (MP), no fim do ano passado, na investigação em que foi denunciado pela suposta cobrança de propina para aprovação do projeto ''Minha Casa, Minha Vida''. O pedetista relatou ter presenciado suposta ameaça de Gouvêa contra Bassi, cujo depoimento ao MP fora decisivo para a denúncia à Justiça.
Ontem, após o sorteio e depois de conversar com integrantes da Procuradoria Jurídica da Casa, Fu negou que vá deixar o posto - como fizera Bassi na véspera alegando não querer afetar os trabalhos da CP, mas após mandado de segurança impetrado pela defesa de Gouvêa, a favor do impedimento.
''Sorteio é sorteio; pretendo ficar na CP até o final, tomar pé de toda a documentação e analisar com serenidade, ser bem imparcial'', definiu o pedetista. Se se julga impedido, uma vez que, assim como Bassi, depôs no MP sobre o acusado? ''Não. E, de qualquer forma, quem julga o vereador no final é o plenário, soberano, não a comissão. Acho que isso (o sorteio de seu nome) foi algo de Deus. Encaro como sendo de Deus. E ficaria feio, perante a sociedade que espera resposta em relação a este caso, mais um vereador se afastar'', analisou.
Já o advogado de Gouvêa foi taxativo: ou Fu renuncia, ou a defesa pedirá o impedimento dele judicialmente. ''Se ele tiver discernimento, abre mão da Comissão - até porque resta incontroverso, pelo depoimento da denunciante (de suposta ''fantasma'') Regina Amancio ao MP, que a denúncia foi redigida no gabinete do Roberto Fu, com assessores dele. Ou seja, é um impedimento de natureza até mais objetival: quem participa da denúncia, não pode sequer votá-la''.


