Brasília - Escolhido ontem para assumir a diretoria-geral do Senado em meio à crise política que atinge a instituição, o servidor Haroldo Tájra prometeu revisar contratos e as nomeações realizadas na Casa nos últimos anos. Tájra disse estar disposto a conduzir uma administração mais ''transparente'' que as anteriores.
''Tenho uma relação muito boa com todos os servidores, sei que vão cooperar, sinto neles a vontade de cooperar pra que a gente possa sair dessa crise o quanto antes'', afirmou.
Funcionário de carreira do Senado, lotado na primeira-secretaria, Tájra negou ter ligações pessoais com o senador Efraim Morais (DEM-PB) - que foi primeiro-secretário do Senado até o ano passado. O novo diretor disse que tem ligações ''maiores'' com o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), atual titular da primeira-secretaria. Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo afirma que, em janeiro de 2008, Efraim tomou a decisão de reajustar o auxílio-alimentação dos servidores. O ato foi feito com valor retroativo a janeiro de 2007. Ou seja, sem previsão orçamentária prevista para aquele ano. A decisão, tomada por meio de ato secreto, só foi tornada pública em abril deste ano.
O ex-primeiro-secretário também foi acusado pelo ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi de envolvimento em irregularidades na Casa, como o esquema de desvio de verbas em empréstimos consignados firmados com a instituição. O parlamentar nega todas as acusações.
Nomeação
Tájra assume o cargo com a função de substituir Alexandre Gazineo, afastado após as denúncias de que seria responsável pela assinatura de parte dos atos secretos editados na Casa nos últimos 14 anos. A demissão de Gazineo era exigência de um grupo de 20 senadores que pressionou o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), a promover mudanças no comando administrativo da instituição.

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