Brasília - O novo diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Mauro Marcelo de Lima e Silva, defendeu ontem, de forma velada, no discurso de posse, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Temos certeza de que vamos ganhar de goleada e, no final do jogo, a torcida, extasiada com a atuação do time do Estado, vai gritar: 'É campeão, é campeão''', bradou. ''Não será surpresa para mim se, no final do jogo, esta torcida pedir bis'', completou, fazendo uma analogia ao futebol, repetindo um hábito de Lula.
Lima e Silva disse que pretende atuar como ''beque central'' desse time. ''Precisamos é antecipar as jogadas, evitar as jogadas adversárias e jogar a bola nos pés do capitão do time para fazer o gol'', afirmou, enfatizando que o governo não pode, em hipótese alguma, ser surpreendido. Ele disse que a gestão de Lula estaria agora no 34º minuto do primeiro tempo - tem muito jogo ainda pela frente, de acordo com Lima e Silva. ''Estamos ganhando esse jogo, já fizemos vários gols, tomamos alguns cartões amarelos, mas a maioria do estádio ovaciona esse time'', ressaltou. ''É bem verdade que existe uma pequena torcida do contra, mas a minoria absoluta do estádio é nossa'', prosseguiu.
O novo diretor-geral disse que pretende ter uma atuação transparente no serviço de inteligência. A idéia é desmistificar o que ficou conhecido como fantasma do passado, porões do SNI e teias de aranha do serviço. Para mudar essa imagem, Lima e Silva pretende criar uma ouvidoria destinada a manter contatos com a sociedade e com os funcionários da agência.
Em relação aos movimentos sociais, o delegado deixou claro que ''o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) não é problema para a Abin, o problema é a questão agrária''. ''Da mesma forma, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) não são problemas da Abin, são de segurança pública'', acredita.

mockup