Novo diretor deve ser conhecido hoje
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de junho de 1998
Leandro Donatti 
O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deve anunciar hoje o novo diretor geral brasileiro da Itaipu Binacional. O ex-diretor geral Euclides Scalco (sem partido), que a partir de agora passa a responder pela coordenação política da campanha pela reeleição, tinha uma conversa agendada ontem à noite com o presidente, em Brasília. Além da nomeação, deverá constar também no decreto a exoneração de Scalco.
Scalco levou uma lista com os nomes dos cinco diretores da binacional. Um deles será seu substituto interino e vai acumular funções. Existe a possibilidade de Scalco retornar à diretoria geral depois da eleição de 4 de outubro. Concorrem ao cargo os diretores técnico-executivo, Altino Ventura Filho; financeiro-executivo, Romar Teixeira Nogueira; administrativo, Fabiano Braga Cortes; jurídico, João Bonifácio Cabral Junior; e o de coordenação, José Luiz Dias.
Ventura Filho era apontado ontem como o favorito. Considerado homem da Eletrobrás na Itaipu, o diretor atenderia aos critérios técnicos mínimos exigidos por Scalco. O seu nome só foi ventilado com mais força depois de inviabilizada a indicação de Ary Queiroz para a função. Queiroz, que já foi vice-governador do Paraná, teria tido o seu nome vetado pelo ex-governador Álvaro Dias (PSDB) durante conversa com o presidente, para quem empresta apoio político no Estado.
Álvaro e Queiroz estão rompidos desde abril de 89, quando Álvaro desistiu de concorrer ao Senado para garantir a vitória do hoje senador Roberto Requião (PMDB) na sucessão. Ligado ao ex-senador José Richa (sem partido), Queiroz dava sinais de que iria, se assumisse o governo, apoiar adversários de Requião. O episódio ficou conhecido pela célebre frase de Álvaro que disse estar desistindo da disputa por conta do que ele classificou de filhos do mal.
A interferência de Álvaro na escolha do novo diretor geral só teria tido efeitos parciais. O presidente Fernando Henrique teria acolhido seus argumentos mas deixou a cargo do amigo pessoal, Scalco, a tarefa de indicar qual dos diretores está capacitado para assumir a diretoria geral brasileira. Álvaro queria o ex-deputado federal Helio Duque para a função, sugestão que não foi acolhida.


