São Paulo - Na mais nova delação premiada da Operação Lava Jato, o lobista Fernando Moura admitiu ter mantido ligações com o PT e disse que o partido recebia propinas ligadas a contratos da Petrobras. Na colaboração premiada autorizada pela Justiça Federal no Paraná na segunda-feira, Moura aponta a atuação decisiva do ex-secretário do PT Silvio Pereira na aprovação da indicação do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, acusado de intermediar o repasse de suborno para a legenda.
O mais novo delator da Lava Jato relatou que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP) recomendou a ele que deixasse o país após o surgimento do escândalo do mensalão, em 2005, e então ele foi morar em Miami (EUA), onde continuou a receber propinas de fornecedoras da estatal de petróleo. Moura também afirmou que executivos da Petrobras repassaram informações privilegiadas a investidores sobre um contrato da estatal com a empresa norueguesa Sevan Marine, o que permitiu aos operadores financeiros um ganho indevido na aquisição de ações da companhia estrangeira na Bolsa de Valores de Oslo (Noruega).
Moura já é réu em ação penal da Lava Jato na qual também são acusados Dirceu, Duque, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco. Na semana passada, a Justiça abriu o processo criminal contra os suspeitos pela suposta prática dos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
O delator também disse que no esquema de corrupção na Petrobras as fornecedoras da estatal pagavam uma propina de 3% sobre o valor dos contratos, e parte desse valor era repassado ao PT. A assessoria do PT informou que o partido não iria se manifestar sobre a delação de Moura. Segundo o advogado de Dirceu, Roberto Podval, a defesa irá se manifestar nos autos. A reportagem procurou a defesa de Moura, mas os advogados não retornaram as ligações.

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