Novo conselheiro descarta confronto no porto
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terça-feira, 01 de junho de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Por indicação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Ministério dos Transportes exonerou o presidente do Conselho de Autoridade Portuária (CAP) do Porto de Paranaguá, José Carlos Mendes, um ano antes de encerrar seu mandato. Mendes será substituído pelo atual funcionário da Antaq, Helio Silva, que também vinha desempenhando as funções de presidente do CAP de Manaus.
A Antaq promoveu a substituição de dirigentes dos CAPs em sete portos brasileiros, entre eles o paranaense. Em Paranaguá, o governador Roberto Requião (PMDB) desmentiu ontem a informação de que ele e seu irmão, o superintendente do porto, Eduardo Requião, teriam indicado Mendes. De acordo com Requião, Mendes foi indicado pelo PT e ele ''apenas referendou a indicação''. Ele questionou, porém, por que a Antaq não substituiu os presidentes dos CAPs dos portos do Rio Grande (RS) e Santos (SP), que foram os que exportaram a soja que está sendo rejeitada pela China.
A Antaq descartou qualquer vinculação entre a exoneração de Mendes e a falta de entendimento com a direção do Porto de Paranaguá e com o governo do Estado. A Antaq enviou seus técnicos e posteriormente o diretor da agência, Carlos Alberto Nóbrega esteve no Paraná, onde constataram a falta de serviços básicos como dragagem, desratização do porto e também de obras de manutenção dos berços de atracação.
Na época, o diretor da agência defendia que o porto paranaense tinha que exportar a soja transgênica conforme determinava a legislação federal e que não era cumprida no Paraná, a exemplo do que já ocorria com os demais portos brasileiros.
Os membros do CAP, representados pela comunidade portuária, vinham reclamando da atuação de Mendes que não levava as reivindicações da comunidade à autoridade portuária, representada pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), da qual Eduardo Requião é o superintendente.
Hélio Silva disse ontem à Folha que não pretende estar a favor de um ou outro lado. Adiantou que pretende agir de acordo a Lei 8.630, de modernização dos portos, e promete ser transparente nos atos, sempre respaldado na legislação, insistiu. Sua missão será a de promover a qualidade dos serviços portuários, mas isso não significa que deve se submeter à autoridade portuária, ''embora o CAP também não a substitui''. Cauteloso, disse que as duas instituições devem se harmonizar.
Hélio Silva descartou possíveis confrontos com Eduardo Requião, argumentando que a fase de turbulência já passou. Ele já vem substituindo Mendes nas últimas três reuniões do CAP em Paranaguá.


