Novo chefe de divisão da PC responde por ''golpe 3 por 1''
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de janeiro de 2001
Ana Paula Nascimento De Londrina 
O novo delegado da Divisão de Policiamento do Interior (DPI), Clóvis Galvão, nomeado na terça-feira pelo secretário de Segurança Pública, José Tavares, e pelo delegado-chefe da PC do Paraná, Leonyl Ribeiro, responde a processo na 2ª Vara Criminal de Londrina por formação de quadrilha. Ele foi denunciado pelo promotor Marcelo Bortolini no dia 8 de janeiro de 2000 por suposta participação no golpe 3 por 1.
As investigações começaram em 94, quando Galvão ocupava a chefia da 10ª SDP de Londrina. Ele teria participado de 14 golpes, que lesaram vítimas em mais de R$ 1 milhão. O investigador Jorge Luis Pereira Camargo e mais 16 pessoas também foram acusados.
Valdir Colete, uma das vítimas, e o MP de Londrina prepararam um flagrante, realizado em 94 pela Polícia Federal. Um dos acusados, Dirceu Velleda, entregou US$ 15 mil, por intermédio do advogado José Yves de Souza, para Colete mudar seu depoimento que incriminava os policiais. O promotor Celso Ribas, que atuava em Londrina, declarou que já havia provas suficientes para pedir a prisão preventiva de Galvão, o que não ocorreu.
Leonyl disse que o processo não interfere na nova função de Galvão. Ele já foi absolvido em um processo administrativo da Polícia Civil e, por enquanto, não foi condenado pela Justiça Criminal. Não podemos fazer um pré-julgamento. Caso haja qualquer irregularidade na sua atuação, ele será afastado, justificou. Essa é um oportunidade para ele mostrar que, se errou, não vai errar mais; e se não errou, vai continuar não errando, disse.
Os golpistas atraíam pessoas a Londrina através de um arrastador. Ele descobria quem estava em boas condições financeiras e oferecia o esquema de troca de US$ 1 por R$ 3, dizendo que eram sobras de campanhas eleitorais ou recursos do Banco Central.
Após permanecerem em uma casa de luxo na Rua Paulo Kawasaki, as vítimas eram detidas por supostos policiais. Para fugir do flagrante, elas entregavam o dinheiro. A Folha não teve acesso ao processo e o promotor Mario Luiz Ramidoff, responsável pelo caso, volta a trabalhar em fevereiro. Galvão não foi encontrado.


