Nove vereadores são a favor de plebiscito
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quinta-feira, 23 de março de 2006
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Nove dos 18 vereadores de Londrina assinaram um termo de compromisso elaborado por uma comissão de funcionários da Sercomtel em que se comprometem a votar contra o projeto 47/2006, que prevê a revogação da lei que condiciona a venda de ações da telefônica à realização de um plebiscito.
O projeto de autoria de Renato Araújo (PP) e que conta com outras seis assinaturas foi aprovado em primeira discussão e retirado de pauta por tempo indeterminado. ''Compromisso de votar contrariamente o projeto de lei 47/2006 e contra qualquer outro que vise revogar a exigência do plebiscito ou viabilizar a privatização da Sercomtel Fixa ou Celular'', diz parte do documento.
O diretor do Sindicato dos Empregados em Empresas de Telecomunicações (Sinttel), João Henrique Schmidt, admitiu que o documento pode não ter valor jurídico, mas espera que os vereadores ''honrem'' o compromisso. ''Creio que uma pessoa que coloca o seu nome e assina, honra a sua palavra. Além disso, vamos colocar outdoors pela cidade com o nome dos vereadores que assinaram o documento e a cidade toda vai saber'', afirmou.
Assinaram o termo de compromisso Marcelo Belinati (PP), Henrique Barros (PMDB), Roberto Kanashiro (PSDB), Sandra Graça (sem partido), Tercílio Turini (PPS), Roberto Fu (PDT), Maria Angela Santini (PT), Paulo Arildo (PPS) e Luiz Carlos Tamarozzi (PTB). Os funcionários da telefônica ainda estão tentando convencer Osvaldo Bergamin (PMDB) a assinar o documento. ''O Osvaldo pediu tempo para pensar à noite e para procurá-lo amanhã (hoje) às 10 horas'', relatou Ivo de Bassi, um dos membros da comissão de funcionários.
A deputada estadual Elza Correia (PMDB) conversou ontem com os vereadores do partido na tentativa de assegurar o cumprimento à deliberação da Executiva municipal. ''Temos uma posição fechada contra a derrubada da lei. O PMDB de Londrina é contra a venda da Sercomtel'', disse. A deputada descartou qualquer interferência do diretório estadual na questão e ainda refutou ''conjecturas'' sobre um suposto interesse da Copel em comprar a Sercomtel. ''O posicionamento da Copel é investir na Sercomtel através da rede de fibra óptica e não comprar a Sercomtel como foi conjecturado.''
Bergamin reafirmou que deve seguir a orientação partidária. ''Sei a preocupação deles mas estou falando que vou votar contra. Amanhã (hoje) cedo vou fazer uma correspondência dando a minha palavra para eles. Não vou votar a derrubada de nada'', afirmou.
Lima, que propôs aos funcionários o substitutivo que revoga também a lei 7347/98 que autorizou a venda de 45% das ações da empresa não concedeu entrevista, mas admitiu que caso o projeto fosse chamado para a pauta de discussões, o substitutivo seria proposto. ''Se o projeto entrar na pauta, entro com o substitutivo'', assegurou.
No entanto, o substitutivo não deve contar com o apoio do autor do projeto que pede a revogação da lei do plebiscito. ''Não voto. Não me convenceram'', disse.
Araújo ainda falou sobre um suposto interesse do Executivo de que o substitutivo fosse apresentado. ''Alguns vereadores vieram me consultar e foi dito que o Executivo mostrou interesse que apresentássemos o substitutivo revogando toda a lei. Só a revogação do plebiscito não passa.'' O líder do prefeito Nedson Micheleti (PT) na Câmara, Lourival Germano (PT), negou. ''O interesse do prefeito era que trabalhássemos o projeto do vereador Renato.'' Se os nove vereadores que assinaram o termo de compromisso votarem contra o projeto, a matéria será rejeitada em segunda e última discussão. Para aprovação, são necessários dez votos.


