Nove são denunciados por propina no caso Shirogohan
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de julho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Os nove vereadores e ex-vereadores citados no inquérito que apurou as denúncias de cobrança de propina para aprovação de lei que beneficiou a boate erótica Shirogohan foram denunciados criminalmente, ontem, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os promotores Leila Voltarelli, Cláudio Esteves e Renato de Lima Castro concluíram que os parlamentares praticaram crime de concussão (extorsão praticada por agente público) e arrolaram o prefeito Nedson Micheleti, o secretário Municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, e o ex-superintendente da Polícia Federal (PF) em Londrina Sandro Roberto Vianna dos Santos como testemunhas. Em caso de condenação, os parlamentares e ex-parlamentares ficam sujeitos à pena de 2 a 8 anos de reclusão e pagamento de multa. O processo foi distribuído para a 5 Vara Criminal e será apreciado pela juíza Fabiana Bressan.
Foram citados na denúncia o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), o líder do Executivo Gláudio Renato de Lima (PT), o vereador Pastor Renato Lemes (PRB), os vereadores afastados Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido) e Renato Araújo (PP) e os ex-vereadores Orlando Bonilha (sem partido) e Henrique Barros (sem partido). A aprovação do projeto permitiu à boate Shirogohan contornar impedimento legal e viabilizar o funcionamento de um motel ao lado do estabelecimento.
Na denúncia, o Gaeco cita pelo menos três fortes indícios da ocorrência de crime: a confissão de Bonilha de que houve exigência de propina e que todos os acusados participaram da partilha do dinheiro; o reconhecimento por parte do dono da boate, Claudemir Medeiros, de que foi vítima de achaque e pagou R$ 15 mil para os vereadores; e a participação documentada dos nove vereadores na tramitação do projeto legislativo, aprovado em apenas um dia. ''Da aprovação de um projeto de lei ou substitutivo com essas características, já decorre a impressão de que há algo irregular. E paralelo a isso, há as informações prestadas pela própria vítima e por um dos denunciados'', disse o promotor Cláudio Esteves em coletiva à imprensa.
Sobre a convocação do prefeito, do secretário e do delegado da PF para depor no processo, o promotor explicou que decorre da participação direta que tiveram em diferentes momentos do processo. O prefeito compareceu ao churrasco que foi oferecido pelo dono da boate aos vereadores; o delegado foi quem apresentou Medeiros ao secretário de Governo; e o secretário, por sua vez, intermediou o contato do empresário com a Câmara Municipal.
''Todas as pessoas que porventura tiveram participação em algum dos episódios que antecederam os fatos podem contribuir para esclarecê-los'', afirmou o promotor. Sobre a exclusão do empresário entre os acusados, Esteves argumentou que ''quando ele sofre a concussão, embora possa efetivamente entregar a vantagem, a legislação não caracteriza o comportamento como crime''.


