Curitiba - O ex-diretor geral da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Abib Miguel, e o funcionário da Casa, João Leal de Matos, foram denunciados criminalmente pelo Ministério Público Estadual (MP-PR), ontem, por terem cometido 1182 crimes de peculato - desvio de dinheiro por funcionários públicos - desde 1994. Os ex-diretores da Casa José Ary Nassiff (Diretoria Administrativa) e Cláudio Marques da Silva (Diretoria de Pessoal), além de Abib Miguel e Leal, também foram acusados de formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Outras cinco pessoas foram denunciadas por peculato.
Segundo os promotores do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), autores da denúncia, os valores desviados chegam a R$ 13 milhões, em valores não atualizados. O número de crimes de peculato são referentes às vezes em que houve desvio de dinheiro dos cofres públicos - todos os meses durante o período investigado. A denúncia de falsidade ideológica - ou falsidade documental - é referente às seis nomeações dos acusados como funcionários da Assembleia, em atos supostamente publicados, sendo que nenhum efetivamente trabalhou no cargo.
No entanto, os dados sobre o destino do dinheiro ainda não foram concluídos. Segundo o promotor de Justiça Denilson Soares de Almeida, será requerida a quebra de sigilo bancário de várias pessoas a fim de descobrir como acontecia a transferência dos valores. No entanto ele explica que para a qualificação do crime de peculato ''não é fundamental descobrir o verdadeiro destinatário, apenas estar provado que não ia para quem deveria''.
Os promotores consideram que a primeira etapa de investigação, referente somente ao ''núcleo familiar de João Leal de Matos'' está concluída. Os demais acusados pelo MP-PR são a esposa, filha, sogra e cunhados de Matos. A filha, Priscila da Silva Matos Peixoto era uma das funcionárias, do grupo, mais antigas na AL. Ela consta na lista de pagamentos desde 1994, quando tinha apenas 07 anos e os valores desviados em seu nome chegam a R$ 2.213 milhões - não atualizados. No entanto a nomeação ou exoneração de Priscila não foram localizadas pelo Gaeco em nenhum Diário Oficial.
Como provas, além dos documentos obtidos com os mandados de busca e apreensão da chamada operação Ectoplasma I, estão as confissões de algumas pessoas. Iara Rosane da Silva Matos estava na lista de servidores da AL, mas afirmou aos promotores que trabalhava na casa de Abib Miguel. Ela informou receber cerca de R$ 4 mil por mês, contudo na folha de pagamento da AL consta depósitos em sua conta de até R$ 24,6 mil.
Jermina, Idite e Vanilda Leal (irmãs e sobrinha de Matos) não foram denunciadas porque os promotores entenderam que elas teriam sido usadas no esquema. Em seus nomes foram desviados cerca de R$ 4,6 milhões. Maria José da Silva e Nair Teresinha da Silva (sogra e cunhada de Matos) foram acusadas junto com um pedido de delação premiada, por terem contribuído com as investigação.
Segundo o promotor Claudio Esteves as provas de que os três ex-diretores e Matos se beneficiavam do esquema são sólidas. Caso sejam condenados pelos crimes imputados pelos promotores do Gaeco, a pena mínima seria de 42 anos, podendo chegar a 297 anos e seis meses de prisão.

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