Novatos querem manter poder na Comissão de Justiça
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Se depender dos vereadores em primeira legislatura, a Comissão de Justiça da Câmara de Londrina deve permanecer sob o comando dos novatos. Os "veteranos", que não admitem sequer terem começado as conversas, dizem não ver objeção, mas ponderam a necessidade de diálogo para não haver monopólio.
A composição das comissões técnicas da Câmara são renovadas todos os anos. Entretanto, apenas a Comissão de Justiça não permite, desde 2008, a recondução de seus membros numa mesma legislatura.
No fim de 2012 e início do ano passado, os vereadores eleitos pela primeira vez dos 19, nove jamais haviam passado pela Câmara e dois assumiram pequenos períodos como suplentes começaram a se reunir e pleitear a Mesa Executiva.
Apesar de o comando da Casa ter ficado com o veterano Rony Alves (PTB), que obteve apoio maciço dos novatos, ficaram com eles duas das comissões que dão mais visibilidade: Gustavo Richa (PHS) preside a de Justiça e Mário Takahashi (PV), a de Finanças.
Nas conversas deste ano, especula-se manter o comando da Justiça entre eles, já que Takahashi, Professor Fabinho (PPS) e Péricles Deliberador (PMN) têm formação em Direito.
Takahashi admite já ter conversado por telefone com Gustavo, mas afirma que não pensa em entrar para a Comissão de Justiça. Prefere manter os trabalhos nas outras que comanda além da Finanças, também preside a de Meio Ambiente. "Se fosse para dar um voto hoje, seria para o Deliberador", diz.
Apesar de admitir maior entrosamento entre os novatos, Takahashi nega a existência de um "rolinho compressor". "Se houvesse esse grupo, os projetos seriam votados em bloco", justifica.
Membro de outras comissões no Legislativo, Deliberador diz que, devido à sua formação, pode ajudar na Comissão de Justiça, caso seja indicado para disputá-la. Sem querer entrar em detalhes sobre suas preferências para nomes, ele admitiu que também conversou por telefone com Gustavo.
Emanoel Gomes (PRB), também eleito pela primeira vez, está impossibilitado de voltar para a Justiça, da qual é membro, mas chuta uma possível composição. "Acredito que possa até vir com o Mário na presidência, Fabinho como vice e Deliberador como membro. Ou uma mulher", afirma, com base na formação acadêmica deles.
Vilson Bittencout (PSL) pôs seu nome à disposição, apesar de admitir ser interessante outros membros com formação próxima à área de atuação. Na sua visão, entretanto, defende seu "grupo". "Os novatos ainda podem fazer a diferença. E isso tem reflexo no próprio resultado das urnas", opina.
Na sua terceira legislatura, Jamil Janene (PP) admite que tem interesse na comissão e proclama sua experiência legislativa. Para ele, além da legalidade dos projetos, os trabalhos devem levar em conta o interesse público dos projetos em avaliação.
Autora da proibição de reeleição de membros da Justiça, Sandra Graça (SDD) diz que sua proposta justamente evita que o mesmo grupo permaneça no comando da comissão. Ela, que diz não ter interesse, não vê objeção nos nomes citados, mas também não gostaria de que todos os membros fossem novos na Casa.
Elza Correia (PMDB) também não vê óbices, mas diz que o diálogo precisa ser aberto. "Acho que deveríamos dar oportunidade a todos e não ficar fechado por dois ou quatro anos no mesmo grupo."


