Protestos organizados por contribuintes contra o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e por estudantes contra a mudança na regra do Passe Livre marcaram a última semana em Londrina. As medidas, que tiveram reflexo só agora em janeiro de 2018, foram decididas pela Câmara Municipal de Londrina em 2017. Os temas polêmicos passaram pelo crivo dos 19 vereadores, incluindo os oito parlamentares que no primeiro ano de mandato tiveram que encarar novos desafios na política. Nesta legislatura, Emerson Petriv (PR), o Boca Aberta (também estreante), foi cassado pelos seus pares em outubro do ano passado por quebra de decoro num curto mandato marcado por polêmicas.

Outro "novato" que protagonizou embate, principalmente nas redes sociais, foi Filipe Barros (PRB). Ainda no primeiro semestre foi alvo de um processo na Comissão de Ética por conta de um vídeo postado nas redes sociais no qual chamou de "vagabundos" representantes de sindicatos de trabalhadores que participaram da greve geral em abril do ano passado. A punição no Legislativo foi branda: apenas advertência por escrito. "Fiz a opção de ter uma mandato de opinião e defender as bandeiras que acredito, com argumentos. Esse assunto (vídeo) já está pacificado na Câmara, levei advertência. Eu, como ser humano, sou igual a qualquer outro, também dou minhas caneladas." Ele também é defensor de outra pauta polêmica, a Escola sem Partido.

Já dentro do Legislativo, Barros adotou uma postura técnica e assumiu a principal comissão da Casa, a Comissão de Justiça, Legislação e Redação. Sobre alteração na PGV (Planta Genérica de Valores) repetiu o que defendeu no dia da votação. "Tenho convicção que o aumento de imposto nunca é a melhor solução. Qualquer aumento de imposto gera menos investimentos, menos dinheiro no bolso do cidadão e menor arrecadação." Quanto à restrição do Passe Livre, Barros alegou que foi a decisão acertada. "Não existe almoço grátis. Quem estava pagando a conta, inclusive de quem não precisava, era o município."

Felipe Prochet (PSD) também foi outro novato que se posicionou contrário aos principais projetos do Executivo. Também assumiu a presidência Comissão de Finanças da Câmara e, no meio de tumultuado processo aberto contra Boca Aberta, precisou assumir a presidência da Comissão Processante em meados do ano passado. "Aquele episódio (cassação) em nenhum momento foi perseguição. A investigação foi baseada em fatos amparados por embasamento jurídico. Para mim, como político, foi um aprendizado para saber lidar com as situações da Casa." Prochet disse estar tranquilo sobre seu posicionamento sobre a PGV e o Passe Livre. "Sempre me posicionei desde o momento que o projeto foi protocolado na Câmara, sempre de acordo com as minhas convicções. Não era o momento oportuno pelo tamanho que foi a correção."

Imagem ilustrativa da imagem 'Novatos' da Câmara de Londrina defendem postura em votações



DISCRETOS
Espectadores no primeiro ano de mandado, os outros novatos pouco se posicionaram, em plenário, sobre temas polêmicos. Entretanto, ao serem ouvidos pela reportagem da FOLHA, ao término do ano, não se furtaram em responder sobre a impressão que tiveram nessa estreia na política. Apenas Guilherme Belinati (PP), que não foi encontrado à época, não quis falar sobre os temas ao ser procurado ontem. "Geralmente, as informações que são colocadas na imprensa são distorcidas, prefiro não tocar nesse tema neste momento", respondeu o político que é neto do ex-prefeito Antonio Belinati e primo do atual prefeito Marcelo Belinati (PP).

Apesar de ter votado favoravelmente à maioria dos projetos do Executivo, Eduardo Tominaga (DEM) justificou que a base da sua atuação é "independente" e disse que estudou bastante antes de votar temas polêmicos. "Nenhum momento eu fui direcionado por pressão." Sobre a atualização da PGV disse que o assunto é complexo e seu posicionamento foi analisado com cautela. "Uma planta que estava desatualizada há 16 anos, mas conversamos com pessoas da atual administração e outras que passaram pelo Executivo. Tenho certeza que a médio e longo prazos a cidade vai agradecer." Sobre a restrição no passe livre, Tominaga considerou que o mais justo retomar o modelo antigo com 50% de desconto para maioria dos alunos. "Merecem atenção especial, sim, aqueles que realmente necessitam e estão inscritos em programas sociais."

Servidor público aposentado e mais velho do grupo com 68 anos, João Martins (PSL) disse que não esperava tanto trabalho nesse primeiro ano. "Trabalhei 40 anos e seis meses na Secretaria Estadual de Saúde, mas nunca trabalhei tanto quanto nesse último ano aqui." Já sobre o "novo IPTU", disse que a decisão foi analisada. "Não aumentei o IPTU, eu votei pela atualização da Planta de Valores. Outros municípios, como Maringá, arrecadam mais que Londrina, precisávamos disso."

Também da base de Belinati, Ailton Nantes (PP) considerou que o último ano foi mais bastante produtivo. Ao ser indagado sobre a cobrança do eleitorado em torno da atualização da PGV, Nantes considerou natural. "Ninguém gosta de ser cobrado. Eu também como cidadão vou pagar mais. Mas volto a repetir, era necessário, Londrina precisa avançar. O Executivo não é uma empresa que se falir pode fechar as portas, Londrina não pode fechar as portas. Alguma coisa precisava ser feita. Entendo que não é algo agradável, mas necessário."

PRESSIONADO
Estevão Gonçalves Lopes, o Estevão da Zona Sul (Podemos), um dos mais calados dessa legislatura, foi pouco ouvido em plenário. Na última sessão da Câmara em 2017, emocionado, chegou a chorar ao falar da experiência do primeiro ano de mandato. "Tivemos projetos polêmicos, mas a cidade está desenvolvendo bastante né, com asfalto e na educação." Antes da votação da PGV, Estevão foi pressionado pelo diretório do partido a votar contrariamente ao projeto de lei. Entretanto, o vereador acabou votando com o Executivo. "Quando eu fui eleito, eu disse que iria votar com minha consciência. Apareceu um pessoal aí que eu nem conhecia pedindo para eu votar contrário, mas eu pensei no bem da cidade, nas melhorias que precisavam ser feitas."

BANCADA FEMININA
Única mulher da atual legislatura, Daniele Ziober (PPS) também disse não se arrepender dos seus posicionamentos em relação ao passe livre e também alteração na PGV. Ela comentou o fato também da cobrança em substituir três vereadoras experientes: Elza Correia, Lenir de Assis, Sandra Graça. "Eram vereadoras com muita bagagem, é muita responsabilidade esse papel".

Eleita pela "causa", Daniele dedicou muita energia a projetos com essa temática, mas apenas um virou lei. Foi o que autorizou o transporte de animais domésticos no sistema de transporte coletivo, seletivo e individual urbano de passageiros de Londrina. Alguns projetos apresentados por ela apresentaram vício de iniciativa porque criavam custos ao município. "Nossas leis apresentadas necessitavam que Londrina tivesse um Centro de Tratamento de Zoonozes. Agora estamos trabalhando com Executivo a necessidade de reapresentá-los já que é uma questão de saúde pública."

A Câmara voltará do recesso parlamentar, com votações em plenário, no dia 1º de fevereiro.

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