Novas revelações aumentam crise no governo
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
Agência Folha 
Brasília - Duas das principais revistas semanais do país trazem em suas edições que estão circulando nas principais regiões novas acusações contra o financiamento das campanhas do PT nas eleições de 2002. ''Época'', que fez as primeiras revelações do caso Waldomiro Diniz, publicou ontem reportagem mostrando que o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República fez tráfico de influência em 2003, já trabalhando no Palácio do Planalto.
Já a revista ''Veja'' traz reportagem na qual o ex-diretor-geral da Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs) no governo do petista Olívio Dutra (1999-2002), José Vicente Brizola, filiado ao PT, diz que foi pressionado a intermediar pedidos de dinheiro a empresário de jogos de azar para campanha petista no Estado em 2002.
Na semana passada, a revista ''Época'' revelou uma fita de vídeo em que Waldomiro aparece cobrando contribuições para campanhas do PT e propina do empresário de bingo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em 2002. Em entrevista à revista, Waldomiro diz que no início do governo Lula foi convidado no dia 6 de janeiro, seis dias depois da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para uma conversa com Cachoeira no Hotel Blue Tree Park, a poucos metros do Palácio da Alvorada, para discutir com a multinacional Gtech a renovação de um contrato para operar as loterias da Caixa Econômica Federal.
Participaram do encontro dois executivos da Gtech: o então presidente da empresa, Antônio Carlos Rocha, e o diretor de marketing, Marcelo Rovai. Waldomiro disse que se encontrou novamente com os dois no mesmo hotel em março do ano passado.
José Vicente Brizola, que é filho do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, disse ter sido ''pressionado'' a arrecadar recursos que seriam destinados à chapa majoritária do PT, formada pelo candidato ao governo, Tarso Genro - hoje ministro da Educação -, e pelos candidatos ao Senado Paulo Paim e Emília Fernandes - ex-ministra de Política para as Mulheres, demitida na reforma ministerial de janeiro deste ano. Segundo José Vicente, o pedido foi feito por Carlos Fernandes, filho de Emília.
Ainda de acordo com ele, sua missão seria entrar em contato com empresários da jogatina e ''convidá-los'' a contribuir com a campanha - não como doadores oficiais, registrados no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), mas no caixa dois. José Vicente ressalta, no entanto, que em nenhum momento teve contato com Tarso nem com Paim, nem ter envolvido os nomes deles nas negociações, de acordo com ''Veja''.
O ex-diretor-geral da Lotergs diz não ter recebido dinheiro e que se sentiu motivado a fazer a denúncia depois da repercussão do escândalo Waldomiro Diniz.
Segundo ''Veja'', José Vicente enviou um e-mail para Waldomiro na semana passada em que afirma que o ex-assessor da Casa Civil ''foi detonado como tantos outros'' e que ''está claro que o ''cardeal'' Dirceu detona seus amigos e inimigos e transfigurou a reforma ministerial de modo a responsabilizar Aldo Rebelo (novo ministro da Coordenação Política que divide atribuições com Dirceu) por atos protagonizados por ele (José Dirceu)''.
Para o presidente nacional do PT, José Genoíno, o único fato que a reportagem da revista ''Época'' revela é que houve encontro de Waldomiro com bicheiros e pessoas que tinham interesses na empresa que fez o contrato com a Caixa Econômica (Gtech). ''A revista não revela nenhuma irregularidade cometida pelo senhor Waldomiro. O senhor Waldomiro cometeu um crime em 2002 e tem que pagar por isso'', disse.


