A Polícia Civil de Umuarama já tem provas de que o prefeito de Mariluz, o padre Adelino Gonçalves (PMDB), e o chefe da divisão de compras da prefeitura, Alexandro do Nascimento, estiveram semana passada em Ariquemes (RO). Isso reforça a denúncia feita no início da semana pelo advogado Osvaldo Moutinho, de que ambos viajaram para propor ao secretário Élcio Farias que assumisse ter mandado matar o vice-prefeito Aires Domingues (PPS) e o presidente do diretório municipal do PPS, Carlos Alberto Carvalho. O duplo homicídio aconteceu no início do mês.
Segundo o delegado de Umuarama, Marcolino Aparecido da Costa, os nomes de Gonçalves e de Nascimento constam da relação de passageiros de um ônibus da Eucatur que fez o trajeto Campo Grande (MS)-Ariquemes, no último dia 12. Os nomes estão também no livro de registro de hóspedes do Hotel Jocemel, de Ariquemes. Eles ficaram hospedados dia 14 no apartamento 6 do hotel. O prefeito é acusado de ser o mandante do crime e está preso em Curitiba.
A Polícia também ouviu o irmão de Farias, Antônio Carlos de Farias, que teria testemunhado a conversa entre Moutinho, Gonçalves e Nascimento. Por orientação do advogado, Élcio Farias não foi ao encontro. Moutinho disse que recusou a proposta. Mesmo assim, Gonçalves teria ficado de mandar dinheiro.
Alexandro do Nascimento se apresentou segunda-feira em Curitiba, acusando Farias de ser o mandante e inocentando o prefeito. Gonçalves se entregou no dia seguinte. Farias continua foragido, mas o advogado promete apresentá-lo neste final de semana. A Folha não conseguiu localizar o advogado do prefeito, Cláudio Dalledone Júnior, para comentar as provas da viagem.
Para o delegado, os documentos que comprovam a viagem reforçam a denúncia do advogado e incriminam ainda mais o prefeito. Ele acredita que Farias também pode citar outros envolvidos.
No depoimento que deu ao delegado antes de morrer, Carvalho acusava o prefeito de ser o mandante. Ele pediu também que fosse ouvida a secretária de Administração, Ivaneide Scusa, porque ela ‘‘sabia muita coisa’’. ‘‘A secretária foi ouvida, negou e não temos nenhuma suspeita ou indício contra ela’’, informou.
O prefeito encaminhou ontem à Câmara um pedido de licença para se afastar do cargo por 30 dias. O presidente da Câmara, Benedito Oscar dos Santos (PPB), marcou para domingo à tarde uma sessão extraordinária para votar o pedido de licença. O vereador Joel Magalhães (PPS) acredita que a licença será aprovada e na segunda-feira de manhã o presidente do Legislativo assume o cargo. Segundo Magalhães, quando vencer a licença, o prefeito pode pedir renovação por mais 30 dias.
Mariluz está sem prefeito desde o dia 5, quando o ex-policial militar José Lucas Gomes foi preso e acusou Adelino Gonçalves. Ele tentou reassumir a prefeitura dia 9, mas quase foi linchado pela população e teve de deixar a cidade. A Câmara criou uma Comissão Processante para apurar denúncias de assédio sexual contra o prefeito, o que teria motivado o duplo homicídio.

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