As duas últimas denúncias criminais propostas pelo Ministério Público (MP) de Londrina por causa de desvios na administração do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) contabilizam um rombo de aproximadamente R$ 1 milhão aos cofres públicos. As ações – que também devem propor a prisão preventiva de Belinati e outros acusados de participação nas irregularidades – estão sob análise do juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas.
O valor foi levantado com fraudes em licitações na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb – atual CMTU). Segundo a Folha apurou, a terceira denúncia apresentada pelos promotores aponta um total de 20 envolvidos, totalizando desvios de R$ 431 mil. O valor é parte de uma investigação feita pelo MP em 23 contratos da Comurb que totalizaram R$ 3,4 milhões, pagos em um só dia: 26 de maio de 1999.
As licitações foram feitas por meio da modalidade carta-convite, onde o valor máximo é R$ 150 mil. Apenas cinco empresas ganharam as 23 concorrências: Gomes & Amâncio (de Londrina), Remix Serviços Técnicos, Nova Forma Engenharia e Construção, Kesikowski Engenharia e Construções Civis e NT&C Consultoria e Construção (todas de Curitiba).
Segundo um depoimento da ex-diretora de operações da Comurb, Lúcia Brandão, ao MP, os R$ 3,4 milhões foram levantados para abortar na Assembléia a CPI que investigaria a venda de 45% das ações da Sercomtel S.A. para a Copel, incluindo o repasse de R$ 45 milhões ao banco FonteCindam para pagamento de um empréstimo da prefeitura no valor de R$ 22 milhões.
A quarta denúncia criminal que os promotores impetraram na 4ª Vara Criminal totaliza desvios de R$ 435 mil, com 18 envolvidos.
Outras duas denúncias do MP já foram aceitas pelo juiz Arquelau e se transformaram em ações criminais, totalizando desvios de mais de R$ 2 milhões. A primeira levou Belinati, o ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan e o ex-secretário de Governo e de Administração Wilson Mandeli para a prisão, há duas semanas, por desvio de R$ 590 mil.
A segunda denúncia foi aceita pelo juiz, mas ele ainda não avaliou se determina a prisão dos acusados – entre eles, o próprio Belinati. Arquelau espera o Tribunal de Justiça decidir sobre o mérito dos habeas-corpus impetrados pelas defesas dos réus contra os primeiros pedidos de prisão.

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