O economista Rubem Novaes, apontado como suposto negociador de informações privilegiadas obtidas junto ao Banco Central para instituições financeiras, afirmou ontem que o ex-presidente do BC Francisco Lopes discutiu com o amigo Luís Augusto de Bragança, quando foi procurado para debater uma solução ao Banco Marka. ‘‘O Chico disse à ele que não admitiria que a amizade entre ambos fosse usada com aquele propósito’’, disse Novaes ontem, durante depoimento à CPI dos Bancos.
Ele também afirmou que o ex-controlador do Marka, Salvatore Cacciola, pediu-lhe socorro porque estava ‘‘desesperado e quebrado’’. Segundo o economista, quando ocorreu a mudança cambial, Cacciola telefonou-lhe, dizendo que tentava localizar o economista Bragança, ex-sócio de Chico Lopes - àquela época, presidente do BC - na empresa Macrométrica. Cacciola, segundo Novaes, queria apoio de Bragança para conseguir uma audiência com a diretoria do BC. O banqueiro estava negociando com o BC e pleiteava comprar dólares a preços muito abaixo dos praticados pelo mercado.
Novaes contou à CPI que apelou a Bragança que fosse conversar com Cacciola ‘‘naquele momento de desespero’’, que aceitou se encontrar com o banqueiro. No encontro, lembrou, Cacciola expôs aos dois que precisava de apoio para ‘‘conseguir alternativas que evitassem a quebra’’ do Marka. Novaes informou aos senadores ter dito a Cacciola que ‘‘não contribuiria em termos de discussão interna’’ no BC.
‘‘Não tive qualquer interferência junto ao BC na solução do problema’’ (do Marka), garantiu Novaes, que também informou aos integrantes da CPI que ‘‘nada foi cobrado’’ pela assessoria prestada ao banqueiro. ‘‘Não cobrei nada; foi um apelo desesperado de um amigo, a quem não poderia faltar’’, disse.

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