Nova York indicia Maluf por lavagem de dinheiro
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quinta-feira, 08 de março de 2007
Ricardo Brandt e Nalu Fernandes<BR<Agência Estado 
São Paulo - O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) foi indiciado ontem pela Promotoria Distrital de Nova York por lavagem de dinheiro e está proibido de pisar em solo norte-americano ou em países com acordo de extradição com os EUA, sob o risco de ser preso. Ex-prefeito de São Paulo, Maluf foi acusado pela movimentação ilegal de US$ 11,6 milhões (equivalente a R$ 24 milhões) em uma conta do Safra National Bank, de Nova York, para legalizar recursos que teriam sido desviados da prefeitura paulistana.
O dinheiro seria fruto do superfaturamento das obras da Avenida ''Águas Espraiadas'' e do túnel ''Ayrton Senna'', durante o período em que foi prefeito. Além de Maluf, foram indiciados seu filho Flávio Maluf, dois executivos da construtora Mendes Júnior - Simeão Damasceno de Oliveira e Joel Guedes Fernandes - e o doleiro Vivaldo Alves, conhecido como Birigui.
O promotor-geral de Nova York, Robert Morgenthau, afirmou que Maluf usou o dinheiro que teria sido desviado dos cofres públicos e enviado ao exterior para despesas pessoais e financiamento de campanhas eleitorais no Brasil. ''O indiciamento tem como mensagem que nós não permitiremos que Nova York seja usada para procedimentos criminosos não importa onde quer que sejam originados'', disse o promotor-geral.
O processo de investigação em Nova York começou em 2004, fruto das apurações das promotorias, estadual e federal, do Brasil sobre a suposta movimentação de US$ 147 milhões em contas ilegais no exterior pela família Maluf.
O ex-prefeito e seu filho sempre negaram ter contas no exterior. ''Ele, em nome próprio, não tinha nenhuma conta mesmo. Ele era beneficiário e controlador das contas'', explica o promotor Silvio Marques, um dos responsáveis pelas investigações no Brasil.
Maluf e Flávio chegaram a ficar presos por 40 dias no fim de 2005. Marques afirma que o indiciamento norte-americano está ''repleto de provas testemunhais e documentais''. ''O ciclo da lavagem ficou completo'', garantiu.
O indiciamento da promotoria de Nova York e os dados levantados pelos promotores brasileiros indicam que as obras foram superfaturadas em até 30% e que esse excedente foi legalizado em contas no exterior e depois voltou ao Brasil pela empresa de Maluf, a Eucatex.
O indiciamento é mais uma complicação na vida política de Maluf. Ele já responde a uma ação de improbidade, que pede a devolução de quase R$ 5 bilhões aos cofres públicos, e a mais duas ações criminais. Como foi eleito deputado federal, os processos criminais foram levados para o Supremo Tribunal Federal, já que ele passou a ter foro privilegiado.
Maluf divulgou nota ontem em que diz encarar o indiciamento como uma forma de ele poder apresentar sua defesa à Justiça norte-americana: ''As declarações da Promotoria Distrital de Nova York, formalizadas junto à Justiça, permitirão, finalmente, que Paulo Maluf possa se defender e provar que é inocente das acusações que lhe fazem''.


