Nova versão de Ribeiro esbarra em depoimento de empresário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
Ao contrário do que o prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro (sem partido), declarou à imprensa, parte da propina paga pelas empresas dos uniformes teria sido destinada ao ex-secretário da Fazenda Lindomar dos Santos. A afirmação está no depoimento do gerente financeiro da Kriswill, José Lemes dos Santos, prestado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no dia 3 de setembro. Ribeiro disse à imprensa anteontem que todo o valor, R$ 150 mil, foi entregue ''unicamente'' ao ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). Mas ele próprio, em depoimento anterior ao Gaeco, disse que a quantia tinha sido dividida igualmente entre ele, Lindomar e Barbosa.
Lemes, que chegou a ficar preso por uma semana, contou aos investigadores que teve, pelo menos, quatro encontros com Ribeiro para repassar propina. Em um desses contatos, o então vice-prefeito teria afirmado que a Secretaria da Fazenda criava, intencionalmente, dificuldades na liberação do pagamento do contrato das empresas. Ao falar sobre a entrega de R$ 50 mil na casa de Ribeiro, Lemes disse no depoimento que ''José Ribeiro aduziu que Lindomar queria o dinheiro para liberar o pagamento de tais valores''. O depoente explicou que dois dias após aquele encontro na casa de Ribeiro, o pagamento da empresa Capricórnio foi liberado pela prefeitura. Lindomar, também indiciado pelo Gaeco, nega ter recebido propina e disse, anteriormente, que ''nunca criou dificuldades para receber facilidades''.
O gerente financeiro, que passou também a representar a empresa G8 depois da parceria entre esta e a Kriswill, de propriedade de Wilson Yoshida, revelou ainda que foi alertado por Joaquim Ribeiro para que não fizesse ''negociata'' diretamente com Barbosa Neto, porque o prefeito seria ''muito ligeiro''. Nesta conversa, Ribeiro também teria confirmado que ''não via a hora de entregar aquele valor ao então prefeito Barbosa''.
Conforme o relato de Lemes, após o acerto para o pagamento de propina ''ao pessoal da prefeitura'', que giraria em torno de R$ 300 mil no total, a primeira parcela de R$ 50 mil foi entregue a Ribeiro que estava acompanhado da ex-secretária de Educação Karin Sabec, em março ou junho de 2011.
Embora existam divergências nos valores - Ribeiro admite ter recebido R$ 150 mil, mas o Gaeco contabiliza R$ 270 mil em propina que teria passado pelas mãos do prefeito -, Lemes explicou em seu depoimento que a verba para a propina era depositada pela G8 nas contas bancárias do grupo Kriswill, para depois ser sacada e entregue aos agentes públicos de Londrina.
Leia Também:
Movimento simula velório para prefeito


