Para aprovar a nova reforma tributária sem perder os dois anos de tramitação cumpridos no Congresso, só resta ao governo a alternativa de negociar as mudanças com o atual relator da comissão especial da Câmara, deputado Mussa Demes (PFL-PI). O governo terá de convencê-lo a encampar em seu parecer as modificações desejadas pela equipe econômica. O problema é que foi criado um mal-estar entre Mussa e o governo, que anunciou a intenção de encaixar a nova proposta de reforma tributária no seu relatório sem avisá-lo.
Na terça-feira, Demes revelou sua irritação com o descaso do governo em relação ao seu trabalho. Os dados sobre a reforma tributária, pedidos pela comissão especial há mais de um mês, sequer tinham sido enviados pela equipe econômica. ‘‘Se pensam que vão passar por cima de mim, estão enganados’’, disse o deputado.
A outra possibilidade de o governo resolver o problema seria retirar a atual proposta de emenda constitucional (PEC), de 1995, e enviar outra emenda. Mas isso o obrigaria a recomeçar do zero toda a tramitação. Esta hipótese é defendida pelo ex-presidente da comissão especial deputado Jurandyr Paixão (PPB-SP), que perdeu o cargo há 40 dias por ter deixado o PMDB. ‘‘Seria melhor solução do que tentar remendar a atual emenda’’, acredita.
O atual presidente da comissão especial, deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE), pensa diferente. Ele adianta que a comissão especial não pretende esperar que o governo mande a nova proposta, apresentada apenas oralmente ao Congresso pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, para tocar os trabalhos. Segundo Lustosa, a comissão decidiu avaliar todas os projetos de reforma tributária apresentados por parlamentares e fazer a reforma do Legislativo.

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