A nova ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie Northfleet, criticou ontem a intervenção do Poder Judiciário nos processos de privatização por meio da concessão de liminares que suspendem leilões. ‘‘A política de privatizações foi adotada pelo Executivo e pelo Legislativo. Ao Judiciário compete somente fiscalizar a sua execução, verificar o cumprimento de editais e de prazos. Pretender que o Judiciário reverta posições adotadas pelos outros Poderes vai contra o equilíbrio (entre os Poderes)’’, disse.
Ela fez essa afirmação durante entrevista coletiva, logo após o plenário do Senado aprovar a indicação de seu nome para o STF, por 67 votos. Houve duas abstenções e nenhum voto contra. A tese sobre interferência do Judiciário é a mesma apresentada recentemente pelo governo em recursos ao STF para cassar liminares que haviam suspendido a privatização do Banespa.
A indicação de Ellen Northfleet foi apoiada pelo advogado-geral da União, Gilmar Mendes, e pelo ministro do Supremo Nelson Jobim, o único indicado até agora pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ela disse que um levantamento sobre as decisões dadas por ela, como juíza do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª região, com sede em Porto Alegre, revela a sua independência.
Cautelosa, Ellen Northfleet evitou responder a questões polêmicas, como a atuação de filhos de ministros como advogados e o aumento salarial de 11,98% para servidores do Judiciário. Ela afirmou que considera justa a remuneração que receberá no Supremo, de R$ 10.400.

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