Brasília - O surgimento de uma nova lista com nomes de políticos de Minas Gerais, sobretudo do PSDB, PFL, PTB e PP, provocou ontem tensão, bate-boca entre tucanos e petistas e ameaça de processo de cassação no Conselho de Ética contra o vice-presidente da CPI do Mensalão, Paulo Pimenta (PT-RS). O documento, que é apócrifo e não tem recibos de pagamentos, identifica 128 nomes que teriam dividido R$ 10,8 milhões do esquema de Marcos Valério Fernandes de Souza nas eleições de 1998. Entre os citados está o governador de Minas, Aécio Neves. Em 1998, ele foi candidato a deputado federal.
A lista compõe um calhamaço de papéis que tem como capa uma cópia de pesquisa da internet no site do Supremo Tribunal Federal onde Marcos Valério, Eduardo Azeredo (senador do PSDB e ex-governador de Minas) e Clésio Andrade (vice-governador de Minas Gerais) aparecem como réus. Pelo documento, os supostos pagamentos são destinados a vários candidatos a deputados estaduais e federais de Minas Gerais.
Além do PSDB, PFL, PTB e PP, há candidatos vinculados a pequenos partidos, como PRN, PSL, PSB, PSN e PSD. O PT é citado como beneficiário de R$ 850 mil, mas não há identificação de nomes. Outros supostos destinatários seriam prefeitos e vereadores que ajudariam nas campanhas políticas.
Os papéis já estavam com a CPI dos Correios, mas não foram divulgados por falta de provas. Muitos na CPI do Mensalão não sabiam de sua existência, o que alimentou a confusão e gritaria de uma hora na reunião conjunta para o depoimento do sócio de Marcos Valério, Cristiano Paz.
O próprio Valério, em seu depoimento anteontem, confirmou que havia uma outra relação com nomes de políticos que teriam se beneficiado de repasses de suas empresas, mas disse que não a apresentaria porque não era possível comprovar se os pagamentos haviam sido feitos.
Na lista há uma coluna onde está escrito ''Total''. Ao lado, outra anotação: ''Valor Pago''. O governador Aécio Neves, de acordo com o documento, teria se beneficiado de R$ 110 mil em sua campanha a deputado em 1998. Carlos Melles (PFL), que foi ministro dos Esportes de Fernando Henrique Cardoso, também teria recebido R$ 130 mil. Lael Varela (PFL), segundo o documento, seria destinatário de R$ 135 mil. Todos negam.
Alguns dos políticos que aparecem nesta lista também constam de outro documento entregue por Valério à CPI, anteontem, onde são elencados 75 nomes. O relator da CPI do Mensalão, Ibrahim Abi Ackel (PP-MG), por exemplo, é citado como destinatário de R$ 100 mil na lista apócrifa de ontem. Em seu favor há apenas um depósito, de R$ 50 mil, feito em nome de seu filho, Paulo.
Situação semelhante tem o ex-líder do PSDB, Custódio Matos. Na relação, ele surge como beneficiário de R$ 250 mil, via uma pessoa identificada como Arcuri. Na relação de Marcos Valério entregue à CPI, Custódio recebeu R$ 20 mil. Abi Ackel confirmou que seu filho recebeu R$ 50 mil do esquema de Marcos Valério, e Custódio assentiu que ganhou R$ 20 mil.
A confusão entre os parlamentares que se preparavam para ouvir Cristiano Paz aconteceu porque o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS) afirmou que viu Paulo Pimenta entrar no carro de Marcos Valério ontem de madrugada, depois do encerramento do depoimento do empresário à CPI. Redecker cobrou explicações.
Com o bate-boca, o presidente da CPI do Mensalão, Amir Lando (PMDB-RO), suspendeu a sessão e se reuniu com Pimenta no corredor. Quando a sessão voltou, Pimenta apresentou uma nova versão: ''Era uma lista que estava circulando durante a sessão (...) Verifiquei que os nomes que estavam na lista não conferiam com os 75 nomes na lista entregue pelo Marcos Valério. Deduzi que essa lista havia sido trazida pelo Marcos Valério.''
A explicação não convenceu. O PSDB prometeu entrar com representação contra Pimenta no Conselho de Ética, considerando suspeito o encontro com Marcos Valério e a suposta tentativa de macular políticos tucanos, além das duas versões apresentadas por Pimenta.

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