Nova lei para ampliar cemitérios vai passar por audiência pública
Projeto da gestão Tiago Amaral quer mudar legislação de 2024 para permitir construção de jazigos em ‘áreas limítrofes’ de cemitérios
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de março de 2026
Projeto da gestão Tiago Amaral quer mudar legislação de 2024 para permitir construção de jazigos em ‘áreas limítrofes’ de cemitérios

O PL (Projeto de Lei) 312/2025, encaminhado à CML (Câmara Municipal de Londrina) pelo prefeito Tiago Amaral (PSD), vai passar por audiência pública no dia 16 de março para ser discutido com a comunidade. O texto altera uma lei de 2024 para permitir a ampliação de cemitérios em suas áreas limítrofes, desde que observados o sistema viário do entorno e as diretrizes ambientais.
O projeto foi protocolado na Câmara em outubro do ano passado e vem tramitando regularmente desde então. Em resposta ao parecer prévio da Comissão de Justiça, a Prefeitura de Londrina afirmou que há dois cemitérios públicos com potencial de ampliação: o São Paulo, na zona leste, e o João XXIII, na área central.
A justificativa para a alteração em uma legislação tão recente é justamente a ausência de jazigos na área urbana e uma restrição criada pela lei de 2024, que afirma em seu artigo 9º que “os cemitérios poderão ser implantados nos zoneamentos onde a atividade é permitida”. O PL 312/2025 acrescenta que isso também poderá ocorrer “em áreas limítrofes aos cemitérios existentes”.
De acordo com o presidente da Acesf (Administração de Cemitérios e Serviços Funerários), Péricles Deliberador, a demanda por vagas em cemitérios é histórica em Londrina. Hoje, há jazigos disponíveis nos distritos, com cerca de duas mil unidades, mas faltam espaços na cidade. “Com os dois cemitérios [São Paulo e João XXIII], nós conseguimos ampliar em cerca de três ou quatro mil jazigos verticais. Isso representa uns cinco ou seis anos de trabalho com mais tranquilidade”, afirmou à FOLHA.
Deliberador lembra que, em 2016, o município chegou a adquirir um terreno na zona norte de Londrina, com mais de 48 mil metros quadrados à margem da avenida Saul Elkind. À época, o investimento foi de mais de R$ 2 milhões. Mas a área, em vez de dar lugar ao cemitério, acabou sendo destinada a um parque industrial.
ESTUDOS AMBIENTAIS
A líder do governo na CML, vereadora Flávia Cabral (PP), reforça que a audiência pública é o momento de discutir o PL com a comunidade e defende que a mudança na lei pode agilizar a ampliação dos jazigos na cidade.
“Cemitérios são locais em que, às vezes, você precisa de uma topografia específica, de um impacto de vizinhança feito. Não é um caminho muito rápido. A forma como o Executivo atual encontrou seria fazer um ajuste nessa legislação para que terrenos no entorno de locais que já são tradicionalmente cemitérios possam vir a ser utilizados”, diz a vereadora.
Na justificativa do projeto, o Executivo argumenta que a medida é necessária para “assegurar a continuidade da prestação desse serviço público essencial, de forma planejada e em conformidade com o Plano Diretor”.
Também em resposta à Comissão de Justiça, o Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) lembrou que, em análise anterior sobre o Cemitério João XXIII, já havia sugerido a elaboração de um EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança) como condição prévia, diante dos potenciais prejuízos físicos e ambientais à área e à população do entorno.
A Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) ponderou que os impactos ambientais das expansões só poderão ser determinados com precisão após a realização de estudos ambientais específicos em cada área.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


