Uma brecha na nova lei eleitoral, que já vale para as eleições de 2010, permite que sindicatos façam doações para campanhas por meio de cooperativas controladas por eles, na prática. Isso porque um parágrafo acrescentado ao artigo 24 da lei eleitoral (9.504/97) autorizou que cooperativas repassem dinheiro a candidatos, desde que não sejam concessionárias de serviços públicos nem recebam recursos de governos.
Com isso, cooperativas que cumprem esses critérios - algumas ligadas a grandes sindicatos proibidos de doar, atualmente -, poderão fazer doações a partidos que apoiam ou têm alguma relação histórica, como é o caso dos metalúrgicos do ABC, ligados a Lula e ao PT. Só essa classe tem duas cooperativas (uma de crédito e outra habitacional). Formalmente, as cooperativas são independentes. Na prática, a ligação é total. Elas surgem por iniciativa dos sindicatos. Muitas funcionam no mesmo prédio e têm dirigentes sindicais entre os cooperados.
A emenda permitindo a doação surgiu por articulação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que representa o setor. No Congresso, seu porta-voz foi o deputado federal Dr. Ubiali (PSB-SP). Até 2006, as cooperativas já utilizavam uma lacuna jurídica para doar. Em 2008, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou essa possibilidade. Entretanto, com as mudanças aprovadas no fim de setembro, a contribuição passa a valer.

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