‘‘O candidato a presidente, governador, senador ou deputado vai ter que ter um discurso bem coerente e consistente, dizendo o que vai fazer, como vializar e de onde vai tirar recursos para realizar suas propostas.’’ O conselho parece óbvio, mas se transforma quase em profecia quando quem faz a afirmação é o psicólogo Bruno Lopes, da Experience Consultora Ltda., que trabalha há mais de 20 anos na área de pesquisas eleitorais – sendo 19 apenas no Ibope – e que acumula conhecimento suficiente sobre as tendências do eleitorado do Paraná, onde trabalha desde 1983.
Lopes faz uma distinção histórica da população do Paraná com o restante do País, devido à colonização européia no Estado. Quadro que vem mudando com o passar do tempo e que já garante, hoje, uma nova geração de eleitores filhos de pessoas de todos os cantos. ‘‘O paranaense se tornou mais próximo do eleitor brasileiro. Ele não está mais preocupado em conservar valores e padrões, mas sim em qualidade, segurança, emprego, sa© úde’’, diz.
A constatação é ainda mais significativa. ‘‘Essa mudança é irreversível. É resultado de liberdade de discussão e de escola’’, afirma. A prova de que o eleitor não vai mais aceitar imposição de candidatos, segundo ele, é a mudança no conceito de cidadania. ‘‘Não dá para imaginar que alguém que aprendeu a exigir seus direitos, como qualidade e bom atendimento, não vá exigir também na hora de depositar seu voto na urna.’’
‘‘Claro que entre 6 milhões de eleitores no Paraná ainda tem voto de cabresto, ainda há quem troque voto por cadeira de rodas, por cesta básica. Afinal, são 40 anos sem se discutir política. Mas quem vem agora chega com tudo, tendo mais liberdade, muita informação, acesso à Internet. E esse processo é irreversível’’, reforça. Este é um dos motivos, para ele, que está fazendo o PT crescer em todo País.
Ainda assim, ele acredita que os resultados só se definem na véspera das eleições, a exemplo do que ocorreu nas eleições passadas, quando o PT venceu em diversos locais, contrariando pesquisas que mostravam o favoritismo de outros candidatos. ‘‘O eleitor estava buscando algo mais do jeito que ele queria, e o discurso do PT apareceu como uma tábua de salvação.’’ (M.G.)

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