Nova fase da Lava Jato mira Eduardo Cunha e Renan Calheiros
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Gustavo Uribe, Marina Dias e Ranier Bragon<br> Folhapress 
Brasília e Rio de Janeiro - Em nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada ontem, a Polícia Federal mira os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) e os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Fernando Bezerra (PSB-PE). Outros dois inquéritos que também foram alvo das ações ainda são sigilosos. Ao todo, 53 mandados de busca e apreensão foram emitidos para endereços de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Pará, Ceará e Alagoas.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, são nove os políticos com foro privilegiado alvo desta operação.
Foram emitidos mandados de busca e apreensão que atingiram inclusive imóveis de Cunha, incluindo endereços no Rio, sua residência oficial em Brasília e a diretoria-geral da Câmara, órgão responsável por fechar contratos e ordenar despesas. Três celulares de Cunha foram apreendidos. Ministros também tiveram buscas em seus endereços.
Os policiais foram autorizados a acessar dados de computadores, smartphones, celulares em geral, tablets e outros dispositivos eletrônicos e a apreender aparelhos eletrônicos, anotações, registros contábeis e comunicações realizadas entre os investigados.
Renan chegou a ter um pedido contra si, feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.
Eduardo Cunha é acusado de ser beneficiado de desvios da Petrobras. Segundo dois delatores, ele teria recebido US$ 5 milhões em propina de contratos de navios-sondas e também de um negócio fechado pela Petrobras na África que teriam abastecido contas no exterior mantidas pelo peemedebista e familiares na Suíça. Cunha foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal pelo suposto recebimento de propina ligada a desvios na Petrobras há cerca de quatro meses, mas o STF ainda não decidiu se acolhe ou não as denúncias. Sem o acolhimento, Cunha não é réu, somente investigado.
O nome da operação Catilinárias é referência a uma série de discursos proferidos pelo cônsul romano Cícero por volta de 63 a.C. contra o senador Catilina, acusado de tentar derrubar a República.
Dois ministros peemedebistas foram alvo da ação da PF: Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo). Fábio Cleto, um dos principais operadores de Cunha e que ocupava uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal até a semana passada, também, além de Altair Alves Pinto, apontado como responsável por transportar valores para o parlamentar.
Buscas ocorreram ainda na sede do PMDB em Alagoas, incluindo em um escritório do local que é usado eventualmente por Renan Calheiros, e em endereços do deputado Aníbal Gomes, incluindo seu gabinete na Câmara. Aníbal é apontado como interlocutor do presidente do Senado no esquema de corrupção da Petrobras.
Outros atingidos pelas buscas são o senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB-MA) - investigado pela Lava Jato -, Nelson Bornier (PMDB-RJ), prefeito de Nova Iguaçu e aliado de Eduardo Cunha, Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, o deputado do Rio de Janeiro Áureo (SDD) e o deputado federal Alexandre Santos (PMDB-RJ) - ele foi foi citado nos depoimentos do delator Fernando Soares por suposta influência em uma das diretorias da Petrobras, de acordo com reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo".
Em São Paulo, um dos alvos da busca foi o escritório do empresário Lucio Bolonha Funaro, ligado a Cunha. O peemedebista e deputados ligados ao peemedebista são acusados perseguir empresas do grupo Schahin a pedido de Funaro.
A sede da empresa Estre em São Paulo - que tem como sócios o BTG Pactual, de André Esteves, e o fundador do grupo, Wilson Quintella Filho - também foi alvo de busca e apreensão na manhã desta terça.
O estaleiro do Rio Tietê, em Araçatuba, que tem Wilson Quintella como um dos sócios, também foi alvo da operação. Em São Paulo 80 policiais e 15 viaturas foram destacados para a ação. Foi autorizada a apreensão de documentos, mídias, computadores e dinheiro em espécie.


