Nova equipe de Dilma aponta para segundo mandato menos intervencionista
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quinta-feira, 08 de janeiro de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A composição do ministério do segundo governo de Dilma Rousseff indica uma vertente mais ortodoxa em relação ao mercado, com menos intervenção no setor em relação ao período de Guido Mantega, apontam cientistas políticos ouvidos pela FOLHA. Em relação à dança das cadeiras entre os partidos, a distribuição de cargos tem reflexo na composição do novo Congresso Nacional, mas, em ambos os casos, mostra que a presidente se importou mais em garantir a governabilidade do que atender às expectativas de seu eleitorado.
Dilma promoveu uma pequena reforma em sua equipe e trocou 11 dos 39 ministros, além da mudar alguns de pasta. Na nova equipe política, a principal alteração é a saída de Guido Mantega, cuja gestão foi marcada por críticas de investidores, e a nomeação de Joaquim Levy, considerado mais próximo do grupo do senador Aécio Neves (PSDB), candidato à Presidência derrotado nas urnas em outubro. No Ministério do Planejamento, o economista Nelson Barbosa ocupa a vaga que era de Miriam Belchior.
Na distribuição do bolo entre os partidos, há descontentamento em pastas específicas, como no caso da Educação, entregue ao ex-governador do Ceará Cid Gomes (Pros) que, apesar da tradição política, não é um educador. O mesmo ocorre com o Ministério do Esporte, cedido ao PRB com a nomeação do cientista político George Hilton, ligado à bancada evangélica. Já Kátia Abreu (PMDB) descontenta principalmente os eleitores por seu posicionamento ruralista.
Para os professores de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Clodomiro Bannwart e Elve Cenci, a formatação da equipe indica uma resposta de Dilma para o mercado e para garantir apoio no Congresso, mesmo que isso vá contra o discurso adotado por ela durante a campanha eleitoral ou mesmo em relação ao primeiro mandato.
Na opinião de Bannwart, a nova equipe econômica é a única que indica uma rota devidamente sinalizada neste segundo mandato, com um posicionamento mais ortodoxo em relação às demandas mercadológicas ou seja, um perfil mais liberal. "O primeiro mandato teve uma característica intervencionista sob o comando de Mantega", ressalta.
Já Cenci recorda que a medida adotada por Dilma foi a mesma do ex-presidente Lula, quando assumiu seu primeiro mandato, em 2003. À época, mal visto pelo mercado, Lula lançou uma carta aberta aos brasileiros e compôs sua equipe econômica com nomes próximos ao PSDB de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. "Isso deu estabilidade para pôr em prática outros projetos mais ao estilo dele. A Dilma parece que segue um pouco a sacada de Lula: em alguns momentos, é bom dar resposta ao mercado", avalia.
Para Bannwart, com suas escolhas, Dilma conseguiu desagradar a todos, mas garantiu, com isso, a confiabilidade destes setores. "Mas, do ponto de vista político, a realidade está fora do seu discurso. Deixou de lado quem vestiu sua camisa (nas eleições)."
ALIADOS
A divisão de 15 ministérios entre nove partidos indica claramente a estratégia de Dilma para garantir a governabilidade no Congresso, apontam os especialistas, assim como reflete a nova composição em âmbito legislativo. Isso explica, por exemplo, a entrada do Pros para a equipe ministerial e o PSD de Gilberto Kassab aliás, nomeado para a pasta de Cidades com mais ministérios que aliados antigos.
Entretanto, escolhas como a de Cid Gomes e de Aldo Rebelo para a pasta de Ciência e Tecnologia são demonstrações de loteamento político. "Fica evidenciado que vale tudo para garantir a governabilidade", indica Bannwart.





