‘Nova’ CML consolida PL com maior bancada após migrações
O partido pode chegar a sete vereadores nos próximos dias; Novo ganhou representante com filiação de Deivid Wisley
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de abril de 2026
O partido pode chegar a sete vereadores nos próximos dias; Novo ganhou representante com filiação de Deivid Wisley

Passado o prazo de filiação para os pré-candidatos, que terminou no último sábado (4), o PL (Partido Liberal) se consolidou com a maior bancada da CML (Câmara Municipal de Londrina), com seis vereadores, devendo chegar a sete nos próximos dias, com a migração de Sídnei Matias (Avante). O Progressistas elegeu seis nomes em 2024, mas viu Jessicão se filiar ao PL no fim de março.
Quem também viu seu número de cadeiras diminuir foi o Republicanos, do presidente do Legislativo, Emanoel, que, ao lado de Deivid Wisley e Chavão, completava a bancada da legenda. Nos últimos dias do prazo de filiação, Wisley confirmou sua ida ao Novo, que passa a ter um representante na Câmara de Londrina.
Com isso, a composição atual da Câmara de Londrina traz Marinho (PL), Michele Thomazinho (PL), Roberto Fú (PL), Jessicão (PL), Santão (PL) e Marcelo Oguido (PL); Sídnei Matias (Avante), Anne Moraes (Avante) e Giovani Mattos (Avante); Emanoel (Republicanos) e Chavão (Republicanos); Paula Vicente (PT); Deivid Wisley (Novo); Antônio Amaral (PSD); e Matheus Thum (PP), Valdir Santa Fé (PP), Flávia Cabral (PP), Mestre Madureira (PP) e Régis Choucino (PP).
No caso de Sídnei Matias, a FOLHA confirmou que o vereador não deve se candidatar em outubro e, portanto, não precisava mudar de partido até a semana passada. A ida ao PL, contudo, está bem encaminhada. O vereador Antônio Amaral chegou a receber convites para deixar o PSD, mas acabou permanecendo na sigla.
O advogado e professor Nilso Paulo da Silva avalia que a movimentação na CML é natural em uma cidade do porte de Londrina, que é o segundo maior colégio eleitoral do Paraná.
“No ano das eleições, as acomodações têm muito foco na própria eleição. Embora a janela partidária, a possibilidade de migração, não seja autorizada diretamente ao vereador, outros elementos jurídicos acabam permitindo que eles possam fazer essas trocas, que é a anuência do partido [pelo qual foi eleito]”, aponta Silva, que vê o crescimento do PL como um reflexo da política nacional. “A legenda ganha essa musculatura para deixar vários pré-candidatos à disposição do partido.”
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Mas o aumento da representatividade dos partidos na Câmara não é definitivo e pode mudar caso algum dos parlamentares seja eleito em outubro. Isso porque as cadeiras continuam pertencendo à sigla pela qual os vereadores foram eleitos, e não àquela para a qual migraram durante o mandato. No caso do PL, por exemplo, se Jessicão for eleita deputada, quem assume na CML é o suplente do PP; se Wisley sair vitorioso, a vaga será ocupada pelo suplente do Republicanos.
Para o analista político Elve Cenci, o avanço do Partido Liberal, que também foi observado entre deputados federais e estaduais, tem relação tanto com um posicionamento mais à direita do eleitor londrinense quanto com a desidratação de siglas ligadas ao Centrão. Além disso, o fato de Flávio Bolsonaro (PL) ser um nome competitivo na disputa pela Presidência e de Sergio Moro (PL) estar liderando a corrida pela sucessão de Ratinho Junior (PSD) no governo do Paraná também contribui para a atração de novos nomes.
“Os vereadores de direita ou de extrema-direita querem estar ao lado de quem tem expectativa de poder, que, neste momento, é o PL. Desta forma, para além de atrair votos de possíveis eleitores conservadores para as próximas eleições, existe sempre a possibilidade de ter acesso às instâncias superiores de poder se os governantes forem do mesmo partido”, afirma Cenci.
De acordo com o analista, um fenômeno semelhante aconteceu com o PSD nas últimas eleições no Paraná, quando muitos políticos acabaram migrando para a legenda que tem Ratinho Junior como nome mais forte. Ele destaca, contudo, que a força política mudou de sigla na disputa de 2026.
“Sem expectativa de poder no Estado e com um candidato presidencial fraco, o PSD já não atrai vereadores e deputados para as suas bases. Aliás, o PSD ainda não conseguiu definir nem o candidato a governador. Greca e Curi já debandaram. E o candidato que sobrou, Guto Silva, não atinge 5% na maioria das pesquisas. Quem tem poder ou expectativa de poder atrai, quem não tem acaba abandonado”, completa Cenci.
PT
A reportagem confirmou que Lenir de Assis (PT) ainda não irá assumir sua cadeira de vereadora na sessão desta terça-feira (7). A parlamentar, que atuou como deputada federal por pouco mais de um ano, ainda não teve sua desvinculação da Câmara Federal concluída. Enquanto isso, a suplente Paula Vicente (PT) permanece no cargo.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





