Notas frias revelam rombo em Ivaiporã
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quinta-feira, 13 de maio de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
O prefeito de Ivaiporã, Celio Pereira (PMDB), divulgou ontem vários indícios de irregularidades em notas fiscais emitidas durante a administração do ex-prefeito Pedro Wilson Papin (PSDB), cassado na última semana pela Câmara de Vereadores por ter utilizado irregularmente funcionários e máquinas da Prefeitura para asfaltar a Fazenda Alto Porã, de propriedade dele. As notas averiguadas são fruto do trabalho desenvolvido por quatro vereadores Edvaldo Aparecido Montanheri (PRP), Hélio Cruz Leão (PPS), Éder Bueno (PSDB) e Cyro Fernandes Júnior (PT) que formaram uma comissão eleita pela Câmara.
As primeiras análises encontraram erros e excessos em várias notas, a maioria datadas de abril e maio deste ano. ''Há vários orçamentos feitos em nome de Pedro Papin e não da Prefeitura'', destacou Pereira. Ele citou que a comissão encontrou nove notas fiscais emitidas em nome da empresa Auto Peças Ubá, mas os pedidos referentes à mesma compra foram feitos à Casa dos Parafusos. Em todos os pedidos há uma observação logo abaixo que informa ''Casa Papin''. ''Como você faz uma requisição de uma empresa e pega nota em outra?'', indagou o atual prefeito. Ele ainda informou que ''o mais interessante é que a Casa dos Parafusos é de propriedade de um funcionário da Prefeitura''.
Nas notas emitidas por duas padarias da cidade, o volume de pães e bolos é exorbitante, todos destinados para o gabinete do prefeito. ''É incrível a quantidade de pão que se consome nesse gabinete'', ironizou Pereira. Em um único dia, 5 de maio, há duas notas que totalizam R$ 1.034,20 e incluem 2.231 pães franceses e 400 pães de leite, só para o gabinete. Outra nota discrimina a compra de 50 quilos de bolo a R$ 200. As dez notas mostradas pelo prefeito somam mais de R$ 4 mil. Detalhe que todos os produtos comprados são para consumo imediato pães de sal, salsicha, bolo e bolacha e somente para o gabinete.
Os vereadores encontraram também notas de produtos que não foram encontrados, como dois pneus adquiridos para um veículo Chevetti no valor de R$ 270. Há também uma nota referente à compra de mil telhas francesas (R$ 520). ''Chamei um engenheiro da prefeitura para que olhasse todas as obras e não conseguimos encontrar essas telhas francesas. Suspeita-se que tenham sido usadas em obras particulares'', sugeriu Célio Pereira.
O prefeito mostrou ainda notas referentes à compra de tela malha 10, areia e cimento para a Quadra Poliesportiva Olímpio Mourão Filho, que recebeu verba do governo federal para ser construída. No local, a Folha encontrou apenas um piso de cimento coberto. Não há nenhum sinal de telas ou obras na quadra, que recebeu mais de R$ 90 mil do FAT. As notas da Prefeitura para essa finalidade somam R$ 1.056,12.
O vereador Cyro Fernandes Filho disse ainda que há várias notas de compra de carne e bebida para a Fazenda Alto Porã. Segundo ele, os vereadores encontram notas fiscais de compra de toca-fitas para um ônibus da Prefeitura. Porém, o motorista se espantou com a informação porque, segundo ele, o toca-fitas do ônibus é dele.
As investigações continuam e segundo Cyro Fernandes a preocupação da comissão é fotocopiar e autenticar toda a documentação. O prefeito informou que vai repassar a documentação para os órgãos competentes para que eles possam tomar as conclusões verdadeiras. ''Temos aqui indícios de irregularidades, é a Justiça que vai dizer se é ou não'', observou.
A Folha tentou contato com o ex-prefeito Pedro Papin em sua residência, mas informaram que ele estaria em viagem. A mesma informação foi dada no escritório do advogado Alikan Zanetti, responsável pela defesa de Papin.


